Metodologia da pesquisa científica
Do tema ao problema, do problema ao método, do método ao texto: o que decidir em cada etapa, com que critério, e como deixar cada decisão defensável diante de uma banca.
Um manual sobre decidir — e sobre justificar a decisão
Metodologia não é uma seção que se escreve depois; é a sequência de escolhas que torna um resultado defensável. Este manual organiza essas escolhas na ordem em que aparecem, com o critério para cada uma e a norma que a rege.
O que decidir e com que critério — formulado para que outra pessoa (a banca) possa conferir se a decisão foi coerente com a pergunta.
O erro que a regra evita, descrito pelo que ele parece quando acontece: quase sempre parece economia de tempo.
A sequência concreta, com a ferramenta ou a norma aberta. Capturas de tela são reais e datadas; esquemas estão rotulados.
- As Partes 1 a 3 são o alicerce: o que é conhecimento científico, como nasce um problema, como se escolhe um método.
- As Partes 4 e 5 tratam de dados — como coletar e como analisar — e a 6, do projeto e da ética.
- A Parte 7 é a escrita conforme a ABNT; a 8, as ferramentas; a 9, erros, checklist e glossário.
- Base bibliográfica: Marconi & Lakatos, Gil, Severino, Estrela, Paiva, Creswell, Bardin, Yin e as normas ABNT — todas na lista final.
- Termos sublinhados abrem a definição ao passar o mouse; o botão + detalhes traz a profundidade que não cabe na tela.
Para o uso de inteligência artificial em cada uma destas etapas — permissões, registro, declaração — veja Uso de IA na pesquisa científica. Os dois se complementam: este diz o que decidir; aquele, o que delegar.
O que faz um conhecimento ser científico
Ciência e senso comum, método, paradigmas e a ética que vem antes de tudo.
Conhecimento científico: o que o distingue
Não é o assunto que torna um conhecimento científico, e sim o modo como ele foi produzido e o modo como pode ser contestado. Marconi e Lakatos resumem em quatro traços: é racional, sistemático, verificável e falível.
| Tipo | Como se produz | Como se sustenta | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Senso comum | Experiência cotidiana, tradição, repetição | «Sempre foi assim»; não separa causa de coincidência | «Contêiner atrasa quando chove» |
| Religioso / filosófico | Revelação; reflexão racional sem teste empírico | Coerência interna, autoridade | Princípios sobre o que deve ser |
| Científico | Problema → hipótese → teste → conclusão provisória, com método explícito | Evidência verificável por outros; aberto à refutação | «Em N dias chuvosos, o tempo de pátio subiu X%, IC 95% […]» |
Um enunciado é científico quando você consegue dizer o que o refutaria. Se nenhuma observação possível o derrubaria, ele pode ser verdadeiro, útil ou bonito — mas não é uma hipótese de pesquisa.
Confundir consenso com evidência. «Todos os autores dizem» descreve o estado da literatura, não a verdade do fenômeno. Uma revisão que só recolhe concordâncias não testou nada.
O método científico como ciclo
Método é o caminho que pode ser refeito por outra pessoa. O ciclo abaixo vale para qualquer desenho — o que muda entre uma pesquisa e outra é o rigor exigido em cada etapa.
| Raciocínio | Parte de | Chega a | Risco |
|---|---|---|---|
| Indutivo | Observações particulares | Generalização | Casos não observados podem contradizer |
| Dedutivo | Premissas gerais | Conclusão particular | Premissa falsa → conclusão falsa com lógica perfeita |
| Hipotético-dedutivo | Problema e conjectura | Consequências testáveis; tentativa de refutação | Confirmar não prova; só a refutação é decisiva (Popper) |
Escreva o desenho (etapa 3) num documento datado antes da coleta. Mudanças depois disso continuam possíveis, mas passam a ser registradas como mudanças — é o que permite à banca distinguir método de acomodação aos dados.
Paradigmas e abordagens: quantitativa, qualitativa, mista
A abordagem não é preferência pessoal: decorre do que se acredita que o fenômeno é e de como se acredita que ele pode ser conhecido. Creswell organiza isso em visões de mundo; cada uma puxa um tipo de pergunta, de dado e de análise.
| Visão de mundo | O fenômeno é… | Conhece-se por… | Abordagem típica | Pergunta típica |
|---|---|---|---|---|
| Pós-positivista | Uma realidade mensurável, com causas | Medição, controle, teste de hipóteses | quantitativa | «Quanto X afeta Y, controlado Z?» |
| Construtivista / interpretativa | Significados construídos por pessoas em contexto | Interpretação de falas, práticas, documentos | qualitativa | «Como os operadores entendem X?» |
| Transformadora / crítica | Relações de poder que a pesquisa deve expor | Participação, ação, reflexão | qualitativa · pesquisa-ação | «Como mudar X com os envolvidos?» |
| Pragmática | O que funciona para o problema | O que for necessário — combina | mista | «O que explica X e como se manifesta?» |
| Quantitativa | Qualitativa | |
|---|---|---|
| Dado | Números; variáveis definidas antes | Texto, imagem, fala; categorias emergem |
| Amostra | Grande, probabilística quando possível | Pequena, intencional, até a saturação |
| Análise | Estatística descritiva e inferencial | Codificação, análise de conteúdo/temática |
| Generaliza | Para a população (validade externa) | Para a teoria (transferibilidade) |
| Pesquisador | Distante, instrumento padronizado | Instrumento principal; reflexividade declarada |
«Quali-quanti» sem desenho. Somar um questionário a três entrevistas não é método misto. Misto é quando o desenho diz como e em que ordem os dois tipos de dado se integram — convergente, sequencial explanatório ou exploratório — e o que acontece se discordarem.
Ética e integridade: o que vem antes do primeiro dado
Pesquisa com seres humanos exige apreciação ética antes da coleta; integridade científica vale para toda pesquisa, com ou sem participantes. As duas não são etapas burocráticas — são condições de validade.
| Instrumento | Exige |
|---|---|
| Lei nº 14.874/2024 e Resoluções CNS 466/2012 e 510/2016 | Apreciação por Comitê de Ética (CEP/CONEP) de pesquisa com seres humanos, inclusive em ciências humanas e sociais; consentimento livre e esclarecido (TCLE) |
| Plataforma Brasil | Submissão do projeto ao CEP com folha de rosto, TCLE, cronograma e instrumentos; gera o CAAE |
| LGPD (Lei 13.709/2018) e guia da ANPD | Base legal, minimização e segurança para dados pessoais de participantes |
| Portaria CNPq nº 2.664/2026 | Política de integridade: veda fabricação, falsificação e plágio; exige declarar uso de IA generativa |
| Diretrizes FCHSSALLA/CGEE (2024) | Integridade como compromisso coletivo: transparência, responsabilidade, rigor, honestidade |
Se há pessoa identificável — entrevista, questionário, observação, prontuário, dado de RH — há CEP. A pergunta «precisa de comitê?» se responde pelo dado, não pela área. Dado secundário público e anonimizado dispensa; dado que você mesmo produz com gente, não.
Coletar antes do parecer. Dado coletado sem apreciação ética não pode ser regularizado depois: o parecer não retroage. A consequência prática é perder a coleta — e a defesa.
Transformar um assunto em uma pergunta
Tema, problema, objetivos, hipóteses, justificativa — e a revisão de literatura que dá lastro a tudo isso.
Tema, problema e pergunta de pesquisa
Um tema é um assunto. Um problema é uma dificuldade teórica ou prática para a qual se busca resposta. Uma pergunta de pesquisa é o problema formulado de modo a admitir uma resposta verificável — Gil pede que seja clara, delimitada, empírica e viável.
| Nível | Exemplo | Diagnóstico |
|---|---|---|
| Tema | «Automação portuária» | Assunto; não termina |
| Tema delimitado | «Segurança operacional em terminais de contêineres automatizados» | Recorte; ainda não é pergunta |
| Problema | «Não se sabe se a automação de pátio reduz incidentes com pessoas» | Lacuna nomeada |
| Pergunta | «A automação de pátio reduziu a taxa de incidentes com pessoas em terminais brasileiros entre 2018 e 2025, comparada a terminais convencionais de porte semelhante?» | Admite sim/não; diz o dado e o comparador |
Critérios de uma boa pergunta
- Clara: cada termo tem uma definição operacional (o que conta como «incidente»).
- Delimitada: lugar, período, população, unidade de análise.
- Empírica: responde-se com dado, não com opinião ou valor («deveria»).
- Viável: o dado existe ou pode ser produzido no prazo, com o acesso que você tem.
- Relevante: a resposta muda algo — na teoria, na prática, na política.
Só considere a pergunta pronta quando conseguir escrever a tabela vazia do resultado — as colunas que a resposta vai preencher. Se não sabe as colunas, ainda não sabe a pergunta.
Objetivos, hipóteses e variáveis
O objetivo geral é a pergunta reescrita como ação; os específicos são os passos que, somados, a respondem. A hipótese é a resposta provisória — e só existe onde há relação entre variáveis a testar.
| Objetivo | Verbo | Exemplo |
|---|---|---|
| Geral | analisar, avaliar, comparar, verificar, propor | Avaliar o efeito da automação de pátio na taxa de incidentes… |
| Específico 1 | identificar, levantar, mapear, caracterizar | Caracterizar os terminais e seus níveis de automação |
| Específico 2 | medir, quantificar, descrever | Medir a taxa de incidentes por milhão de movimentos |
| Específico 3 | comparar, relacionar, testar | Comparar as taxas entre grupos, controlando porte |
Objetivo específico que é etapa de trabalho. «Revisar a literatura» e «coletar dados» são meios, não objetivos: todo trabalho os faz. Objetivo específico é um resultado parcial que aparece nos Resultados.
| Elemento | Definição | No exemplo |
|---|---|---|
| Hipótese | Enunciado testável que relaciona variáveis | H1: terminais automatizados têm taxa menor de incidentes com pessoas |
| Variável independente | A causa presumida, manipulada ou observada | Nível de automação do pátio |
| Variável dependente | O efeito medido | Incidentes por milhão de movimentos |
| Variáveis de controle | O que pode confundir e é mantido constante ou ajustado | Porte, tipo de carga, ano |
| Definição operacional | Como cada variável é medida | «Incidente»: registro em relatório de segurança com afastamento ≥ 1 dia |
Pesquisa qualitativa e exploratória em geral não tem hipótese, e sim pressupostos ou questões norteadoras. Não invente uma hipótese para «parecer científico» — a banca pergunta como você a testou.
Justificativa, delimitação e viabilidade
A justificativa responde «por que vale a pena?» em três registros — científico, prático e social. A delimitação diz o que fica fora, e por quê. A viabilidade é o teste honesto de tempo, dado e acesso.
Justificativa em três frases verificáveis
- Lacuna: o que a literatura não responde — apontando as revisões que mostram isso.
- Relevância prática: quem usa a resposta e para decidir o quê.
- Contribuição: o que o trabalho entrega que não existia (dado, método, evidência, artefato).
Delimitação
- Espaço, tempo, população, unidade de análise, nível (organização, processo, indivíduo).
- O que fica fora — dito explicitamente — e a razão (escopo, acesso, prazo).
| Teste de viabilidade | Pergunta | Se a resposta for «não» |
|---|---|---|
| Dado | O dado existe ou pode ser produzido? | Trocar a fonte ou a pergunta |
| Acesso | Você tem, por escrito, o acesso ao campo/base? | Negociar antes de qualificar |
| Tempo | Coleta + análise + escrita cabem no prazo com folga de 30%? | Reduzir escopo, não qualidade |
| Ética | Há tempo para o CEP no cronograma? | Submeter na qualificação |
| Competência | Você domina — ou pode aprender — a técnica de análise? | Disciplina, curso ou coautor |
| Custo | Há orçamento para deslocamento, software, transcrição? | Fonte de fomento ou desenho mais barato |
Justificar pela importância do tema. «A automação é importante» não justifica nada — justifica-se a pergunta, mostrando que ninguém a respondeu e que a resposta muda uma decisão.
Revisão de literatura: onde buscar e como registrar
A revisão tem dois produtos: o estado da arte (o que já se sabe e onde está a lacuna) e o referencial teórico (os conceitos com que você vai ler os dados). Os dois exigem busca registrada, não navegação.
| Fonte | Tipo | Serve para |
|---|---|---|
| Web of Science · Scopus · IEEE Xplore | Bases curadas, assinadas | Busca sistemática com histórico exportável |
| SciELO · BDTD · Portal CAPES | Acesso aberto / institucional | Produção brasileira; teses; texto completo |
| OpenAlex · Crossref · Semantic Scholar | Índices abertos com API | Enriquecimento, citações, verificação de DOI |
| Google Scholar | Máxima cobertura, sem curadoria | Localizar texto; não é base de revisão |
Toda busca que entra no texto tem base, string, data, filtros e total registrados no momento. É o que separa «revisão de literatura» de «li o que encontrei». Para revisão sistemática, o relato segue o PRISMA 2020.
Fichamento e matriz de síntese
Ler sem fichar é ler duas vezes. O fichamento converte leitura em dado reutilizável; a matriz de síntese converte dezenas de fichas em um argumento sobre o campo.
| Tipo de ficha | Conteúdo | Quando usar |
|---|---|---|
| Bibliográfica | Referência completa + resumo do argumento | Toda obra lida |
| De citação | Trecho literal entre aspas, com página | O que você pode vir a citar diretamente |
| De resumo / conteúdo | Paráfrase do essencial, por seção | Obras centrais do referencial |
| Analítica / crítica | Sua avaliação: método, limites, relação com a sua pergunta | Estudos que vão para a matriz |
Ficha sem página. Um trecho copiado sem a página é inutilizável para citação direta e suspeito para a banca. A NBR 10520 exige página na citação direta; a ficha é onde ela é capturada.
id, autor_ano, pergunta_do_estudo, contexto, desenho, amostra, instrumento, achado_principal, limite_declarado, relação_com_minha_pergunta, página_da_evidência # colunas fixas definidas ANTES de ler; valores fechados onde possível (desenho, contexto) # a coluna final é o que vira parágrafo no estado da arte
A matriz responde às perguntas que a banca faz: quantos estudos, de que tipo, com que amostra, dizendo o quê — e onde exatamente está a lacuna que o seu trabalho ocupa. Uma revisão narrativa escrita a partir dela é verificável; uma escrita de memória, não.
O referencial teórico é instrumento, não enfeite: cada conceito nele será usado para ler um dado. Conceito que não aparece na análise não pertence ao referencial.
Nomear o que se vai fazer
As quatro dimensões da classificação, os procedimentos técnicos e a regra que liga pergunta a método.
Classificação da pesquisa em quatro dimensões
Toda pesquisa se classifica ao mesmo tempo em quatro eixos independentes — natureza, abordagem, objetivos e procedimentos. A metodologia da dissertação começa nomeando os quatro; a banca confere se são coerentes entre si e com a pergunta.
| Eixo | Opções | Pergunta que decide |
|---|---|---|
| Natureza | básica gera conhecimento sem aplicação imediata · aplicada resolve problema concreto | Quem usa o resultado, e quando? |
| Abordagem | quantitativa · qualitativa · mista | O dado é número ou significado? Os dois, integrados como? |
| Objetivos (Gil) | exploratória — familiarizar-se com um problema pouco conhecido · descritiva — caracterizar população, fenômeno ou relação · explicativa — identificar causas | Você quer conhecer, descrever ou explicar? |
| Procedimentos | bibliográfica · documental · experimental · ex-post-facto · levantamento (survey) · estudo de caso · pesquisa-ação · participante · design science · revisão sistemática | Como o dado vai ser produzido? (próximo slide) |
Trata-se de pesquisa de natureza aplicada, abordagem quantitativa e objetivo explicativo, conduzida por meio de estudo ex-post-facto com dados secundários de N terminais (2018–2025), analisados por regressão de Poisson com controle de porte e tipo de carga.
Classificar por adjetivos, não por decisões. «Pesquisa exploratória, descritiva e explicativa, quali-quanti, bibliográfica e de campo» — tudo ao mesmo tempo — não classifica: revela que o desenho não foi decidido. Cada eixo tem uma resposta principal; as demais, quando existem, têm papel declarado.
Procedimentos: como o dado é produzido
| Procedimento | O que é | Quando serve | Risco principal | Referência |
|---|---|---|---|---|
| Bibliográfica | Fontes já publicadas (livros, artigos) | Toda pesquisa; sozinha, em ensaios teóricos e revisões | Confundir com «leitura»; sem registro de busca | Gil; Marconi & Lakatos |
| Documental | Fontes primárias não tratadas (relatórios, atas, registros, leis) | Reconstruir processos; dados que ninguém tabulou | Autenticidade e viés de quem produziu o documento | Gil |
| Experimental | Manipular a variável independente com controle e aleatorização | Testar causa; laboratório, simulação, bancada | Validade externa: o laboratório não é o campo | Estrela; Campbell & Stanley |
| Ex-post-facto | Causa já ocorreu; compara-se grupos sem manipular | Quando não se pode manipular (política, acidente, adoção de tecnologia) | Confundidores; causalidade só com controle estatístico | Gil |
| Levantamento (survey) | Interrogar diretamente uma amostra | Descrever opiniões, práticas, prevalências | Amostra não representativa; não-resposta | Marconi & Lakatos; Babbie |
| Estudo de caso | Um ou poucos casos em profundidade, várias fontes | «Como» e «por quê» em contexto real; fenômeno contemporâneo | Generalização — é analítica (para a teoria), não estatística | Yin |
| Pesquisa-ação / participante | Pesquisador e participantes transformam a situação enquanto a estudam | Problemas organizacionais e sociais com os envolvidos | Confundir intervenção com evidência; papel do pesquisador | Thiollent |
| Design science (DSR) | Construir e avaliar um artefato que resolve um problema | Engenharia, sistemas, processos | Artefato sem avaliação rigorosa é produto, não pesquisa | Hevner; Peffers |
| Revisão sistemática | Protocolo, busca reproduzível, triagem por critérios, síntese | «O que já se sabe, e o que falta» | Busca sem registro; triagem sem codebook | PRISMA 2020; Kitchenham |
Escolher o método a partir da pergunta
O método não é escolhido por afinidade nem pelo que o orientador usou na tese dele. É determinado pela forma da pergunta e pelo dado que se consegue obter. A tabela é o teste: se a sua pergunta cabe numa linha, o método está na coluna ao lado.
| Se a pergunta é… | O desenho é | Dado típico | Análise típica | Prazo típico |
|---|---|---|---|---|
| «O que já se sabe sobre X, e o que falta?» | Revisão sistemática / de escopo | Estudos publicados | Síntese narrativa ou meta-análise | 3–8 meses |
| «Qual a prevalência / opinião / prática de Y na população Z?» | Levantamento | Questionário em amostra | Estatística descritiva; inferência para a população | 3–6 meses |
| «A intervenção A supera B nesta métrica?» | Experimento / quase-experimento | Medições em grupos | Testes de hipótese; tamanho de efeito | variável |
| «X, que já aconteceu, está associado a Y?» | Ex-post-facto | Registros, séries históricas | Regressão com controles | 2–5 meses |
| «Como e por que isso funciona neste terminal / empresa?» | Estudo de caso | Entrevistas, documentos, observação | Análise de conteúdo; triangulação | 3–8 meses |
| «Como as pessoas vivem / entendem X?» | Qualitativa (fenomenológica, etnográfica) | Entrevistas em profundidade, campo | Análise temática; codificação | 4–10 meses |
| «Como construir um artefato que resolva X, e ele funciona?» | Design science | Artefato + avaliação | Demonstração, experimento, estudo de caso | 6–18 meses |
| «Como mudar X junto com os envolvidos?» | Pesquisa-ação | Ciclos de diagnóstico–ação–avaliação | Análise qualitativa; indicadores de mudança | 6–12 meses |
Depois de escolher, escreva a frase «escolhi [desenho] porque a pergunta pede [forma] e o dado disponível é [tipo]; descartei [alternativa] porque [razão]». Essa frase é a resposta à pergunta mais frequente de qualquer banca.
Validade e confiabilidade: os critérios de qualidade
Confiabilidade é obter o mesmo resultado repetindo o procedimento; validade é medir o que se pretende medir. Uma balança descalibrada é confiável e inválida. A banca avalia os dois — e a tradição qualitativa tem os seus equivalentes.
| Critério (quantitativo) | Pergunta | Como assegurar |
|---|---|---|
| Validade interna | A causa é mesmo X, e não outra coisa? | Controle, aleatorização, variáveis de controle |
| Validade externa | Vale para além da amostra? | Amostragem probabilística; replicação em contextos |
| Validade de constructo | O instrumento mede o conceito? | Validação por juízes; análise fatorial; instrumentos validados |
| Confiabilidade | Repetindo, dá o mesmo? | Alfa de Cronbach; teste-reteste; concordância entre avaliadores (κ) |
| Critério (qualitativo, Lincoln & Guba) | Equivale a | Como assegurar |
|---|---|---|
| Credibilidade | Validade interna | Triangulação de fontes e métodos; checagem pelos participantes; imersão prolongada |
| Transferibilidade | Validade externa | Descrição densa do contexto para que o leitor julgue |
| Dependabilidade | Confiabilidade | Trilha de auditoria: decisões de codificação registradas e datadas |
| Confirmabilidade | Objetividade | Reflexividade declarada; dados que sustentam cada interpretação |
Triangulação de fachada. Citar «triangulação» sem dizer o que foi triangulado com o quê, e o que aconteceu quando as fontes discordaram. Triangular é procurar a discordância — não coletar três coisas que confirmam a mesma.
Produzir o dado que a pergunta pede
Amostragem, técnicas, instrumentos, experimento e dados secundários.
Amostragem: de quem — e quantos
Amostra é a parte da população que você observa; o tipo de amostragem determina o que a conclusão pode afirmar. Só a amostragem probabilística autoriza inferir para a população com margem de erro conhecida.
| Tipo | Como | Permite |
|---|---|---|
| PROBABILÍSTICA — cada unidade tem probabilidade conhecida de ser sorteada | ||
| Aleatória simples | Sorteio a partir de uma lista completa | Inferência com margem de erro |
| Sistemática | Cada k-ésimo elemento a partir de início aleatório | Idem; cuidado com periodicidade |
| Estratificada | Sorteio dentro de estratos (porte, região) | Precisão por subgrupo |
| Conglomerados | Sorteia grupos (terminais), observa todos dentro | Custo menor; erro maior |
| NÃO PROBABILÍSTICA — não há sorteio; não se generaliza estatisticamente | ||
| Conveniência | Quem está acessível | Exploração; piloto |
| Intencional / por julgamento | Casos escolhidos por serem informativos | Qualitativa; estudo de caso |
| Bola de neve | Participantes indicam outros | Populações ocultas ou raras |
| Cotas | Preenche proporções sem sorteio | Descrição aproximada; sem margem de erro |
n = z² · p · (1 − p) / e² # z = 1,96 (95%) · p = 0,5 (pior caso) · e = 0,05 → n ≈ 385 # população finita N: n_ajustado = n / (1 + (n − 1) / N) # N = 1.000 → n ≈ 278 N = 200 → n ≈ 132
- Para comparar grupos ou estimar efeitos, o cálculo é de poder estatístico (G*Power, R
pwr): efeito esperado, α = 0,05, poder ≥ 0,80. - Na pesquisa qualitativa o critério é a saturação: parar quando novas entrevistas não trazem categoria nova — e registrar em qual entrevista isso ocorreu.
- Taxa de resposta importa tanto quanto n: 385 enviados com 60 respondidos é uma amostra de 60, autosselecionada.
Declare população, unidade de análise, tipo de amostragem, tamanho calculado e tamanho obtido — e o que a diferença entre os dois limita.
Técnicas de coleta: qual dado cada uma produz
| Técnica | Variantes | Produz | Força | Limite |
|---|---|---|---|---|
| Observação | Sistemática / assistemática; participante / não participante; individual / em equipe | Registro de comportamentos e eventos em contexto | Vê o que as pessoas fazem, não o que dizem | Presença altera o observado; exige protocolo de registro |
| Questionário | Perguntas fechadas (dicotômicas, múltipla escolha, escala Likert) e abertas; autoaplicado | Dado padronizado em amostra ampla | Escala, custo, comparabilidade | Não-resposta; interpretação das perguntas; sem aprofundar |
| Entrevista | Estruturada / semiestruturada / não estruturada; individual | Discurso em profundidade | Aprofunda, esclarece, descobre | Tempo; viés do entrevistador; transcrição |
| Formulário | Aplicado pelo pesquisador, face a face | Dado padronizado com assistência | Menor não-resposta; população com baixa escolaridade | Custo; influência do aplicador |
| Grupo focal | 6–10 participantes, moderador, roteiro | Interação e consenso/dissenso | Faz emergir o que a entrevista individual não faz | Dominância de participantes; confidencialidade |
| Medição / instrumentação | Sensores, logs, ensaios, testes | Dado físico ou de sistema | Objetividade, volume | Calibração; validade do que o sensor representa |
| Análise documental | Relatórios, normas, registros, mídias | Dado não reativo | Não altera o fenômeno; série histórica | Viés de quem produziu; lacunas no acervo |
Para cada objetivo específico, uma linha: objetivo → dado necessário → técnica → instrumento → fonte. Se um objetivo fica sem linha, ele não será respondido; se uma técnica fica sem objetivo, ela é trabalho sem uso.
Perguntar o que se quer concluir. «Você considera que a automação melhorou a segurança?» produz opinião, não evidência de segurança. Se a pergunta é sobre incidentes, o dado é o registro de incidentes; a opinião é outro objetivo.
Construir e validar o instrumento
Um questionário ou roteiro é um instrumento de medida. Como qualquer instrumento, precisa ser construído a partir do que se quer medir, testado antes do uso e descrito no relato. Paiva e Marconi & Lakatos detalham o passo a passo.
- Da variável ao item: cada conceito do referencial vira uma ou mais perguntas com definição operacional; monte a tabela conceito → dimensão → item.
- Prefira instrumentos já validados quando existirem (escalas publicadas); adaptar exige tradução reversa e nova validação.
- Redação: uma ideia por pergunta; sem termos técnicos não definidos; sem indução («você concorda que…»); ordem do geral ao específico; sensíveis por último.
- Escalas: Likert de 5 ou 7 pontos com rótulos em todos os pontos; decida antes se haverá ponto neutro.
- Validação de conteúdo por juízes: 3 a 5 especialistas avaliam clareza e pertinência; registre o índice de concordância.
- Pré-teste com 10–30 pessoas da população-alvo: tempo, dúvidas, itens sem variância; ajuste e registre o que mudou.
- Confiabilidade: alfa de Cronbach por dimensão (≥ 0,70 é o piso usual); para roteiros qualitativos, teste do roteiro em duas entrevistas-piloto.
- Documente: o instrumento final vai no apêndice; as mudanças do pré-teste, na metodologia.
conceito dimensão item (nº) escala fonte do item Segurança percebida risco ao pedestre Q7–Q9 Likert 1–5 adaptado de [autor, ano] Segurança percebida confiança no sistema Q10–Q12 Likert 1–5 elaboração própria (juízes: 4) Adoção tempo desde a automação Q2 anos documental
Pular o pré-teste. É o passo que a pressa corta e o que a banca mais pergunta. Um item ambíguo descoberto depois da coleta não tem conserto: os dados daquele item são descartados.
Experimento: controle, aleatorização, delineamento
Experimento é o único desenho que autoriza afirmar causa, porque é o único em que o pesquisador manipula a variável independente e controla o resto. Tudo que não é isso é quase-experimento ou observação — e a conclusão precisa dizer qual.
| Delineamento | Esquema | Controla | Não controla |
|---|---|---|---|
| Pré-experimental (um grupo, pré e pós) | O₁ X O₂ | Nada além do tempo | História, maturação, regressão à média |
| Quase-experimental (grupo de controle não equivalente) | O₁ X O₂ / O₁ — O₂ | Parte dos confundidores | Diferenças prévias entre grupos |
| Experimental (aleatorizado com controle) | R O₁ X O₂ / R O₁ — O₂ | Confundidores conhecidos e desconhecidos | Validade externa; efeito da própria observação |
| Fatorial | 2×2, 2×3… | Interação entre fatores | Cresce rápido em número de condições |
| Séries temporais interrompidas | O O O X O O O | Tendência prévia | Eventos concorrentes |
- Grupo de controle: sem ele, qualquer mudança pode ser do tempo, não da intervenção.
- Aleatorização (R): distribui os confundidores desconhecidos; sem ela, é quase-experimento.
- Cegamento: quem mede não sabe o grupo; em simulação, quem roda não escolhe os casos.
- Réplicas e semente: em simulação computacional, número de réplicas, semente aleatória e versão do software fazem parte do método.
- Um p < 0,05 sem tamanho de efeito não diz se a diferença importa; reporte o efeito com intervalo de confiança.
Pré-registre o experimento (hipótese, variáveis, n calculado, análise) antes de rodar. Uma análise decidida depois de ver o dado é exploratória — e deve ser chamada assim.
Dados secundários e dados abertos
Muita pergunta se responde com dado que já existe — desde que se saiba quem produziu, como, para quê e com que lacunas. A vantagem é o volume; o risco é herdar uma definição que não é a sua.
| Fonte | O que oferece | Cuidado |
|---|---|---|
| IBGE · dados.gov.br · IPEA Data | Séries oficiais, microdados, indicadores | Mudanças metodológicas entre anos; leia a nota técnica |
| ANTAQ · Estatístico Aquaviário | Movimentação portuária por instalação, carga e ano | Definição de «movimento» e de instalação; revisões retroativas |
| OpenAlex · Crossref · Lattes/LattesData | Metadados científicos com API; produção brasileira | Cobertura e desambiguação de instituição |
| Registros da organização | Logs, relatórios de segurança, sistemas | Termo de acesso; anonimização; LGPD |
Para todo dado secundário registre: fonte, versão ou data de extração, filtro aplicado, definição das variáveis conforme a fonte, e guarde o arquivo bruto. Uma figura nasce de um script que lê esse arquivo — nunca de um número digitado.
Do dado ao achado
Estatística descritiva e inferencial, análise qualitativa, métodos mistos e reprodutibilidade.
Análise quantitativa: qual teste para qual pergunta
A escolha do teste depende de três coisas decididas antes da coleta: o tipo de cada variável, o número de grupos e se as amostras são independentes. Descreva antes de inferir; reporte efeito, não só p.
| Pergunta | Variáveis | Teste paramétrico | Não paramétrico |
|---|---|---|---|
| Dois grupos diferem na média? | 1 categórica (2 níveis) × 1 numérica | t de Student (indep. / pareado) | Mann-Whitney / Wilcoxon |
| Três ou mais grupos diferem? | 1 categórica (≥3) × 1 numérica | ANOVA (+ post hoc) | Kruskal-Wallis |
| Duas categorias estão associadas? | 2 categóricas | — | Qui-quadrado; exato de Fisher |
| Duas numéricas variam juntas? | 2 numéricas | Correlação de Pearson | Spearman |
| X prevê Y, controlando Z? | ≥1 preditor × 1 numérica | Regressão linear múltipla | — |
| X prevê um sim/não? | ≥1 preditor × 1 binária | Regressão logística | — |
| X prevê uma contagem (incidentes)? | ≥1 preditor × contagem | Regressão de Poisson / binomial negativa | — |
| Uma medida mudou ao longo do tempo? | Série temporal | ARIMA; séries interrompidas | — |
Ordem de trabalho
- Limpeza: valores ausentes, duplicatas, fora de faixa — e o registro do que foi feito com cada caso.
- Descritiva: n, média/mediana, desvio/IQR, mínimo–máximo, por grupo; gráfico antes de qualquer teste.
- Pressupostos: normalidade, homogeneidade de variância, independência — se falham, teste não paramétrico ou transformação.
- Inferência: teste escolhido antes; α = 0,05 declarado; correção para múltiplas comparações.
- Efeito e IC: d de Cohen, r, razão de chances, com intervalo de 95%.
Procurar o p. Testar dez relações e reportar a que deu p < 0,05 é a definição de p-hacking. Pré-registre as hipóteses; o que não estava previsto é exploratório e é rotulado assim.
Análise qualitativa: da transcrição à categoria
Analisar dado qualitativo é reduzir texto a categorias sem perder o sentido — e deixar registrado como cada categoria nasceu. Bardin organiza a análise de conteúdo em três fases; a análise temática segue lógica semelhante.
| Fase (Bardin) | O que se faz | Produto |
|---|---|---|
| 1. Pré-análise | Leitura flutuante; escolha do corpus (exaustividade, representatividade, homogeneidade, pertinência); hipóteses e índices | Corpus definido; plano de codificação |
| 2. Exploração do material | Recorte em unidades de registro (palavra, tema, frase); codificação; agregação em categorias (a priori ou emergentes) | Livro de códigos; matriz unidade × categoria |
| 3. Tratamento e interpretação | Frequências, coocorrências, inferências; volta ao referencial | Categorias interpretadas com trechos-evidência |
código definição inclui exclui exemplo (fonte, linha) CONFIANÇA fala que atribui ao sistema previsibilidade "sei o que ele vai fazer" elogio genérico E03, l. 41–44 RISCO_PEDESTRE menção a pessoa em área de máquina "ninguém entra ali" risco a carga E07, l. 12
- Transcrição: literal, com convenção declarada (pausas, ênfases); conferida contra o áudio; anonimizada (E01, E02…).
- Codificação: dedutiva (do referencial), indutiva (do dado) ou mista — diga qual.
- Segundo codificador em amostra: concordância (κ) reportada; divergências resolvidas e registradas.
- Saturação: em que entrevista as categorias pararam de surgir.
- CAQDAS (Atlas.ti, NVivo, MAXQDA) organiza — não analisa. A trilha de auditoria é o que o software exporta.
Toda categoria apresentada nos Resultados vem com ao menos um trecho literal identificado (entrevistado, linha) e com a contagem de fontes em que apareceu. Interpretação sem trecho é opinião.
Métodos mistos: integrar, não justapor
Misto é o desenho em que dados quantitativos e qualitativos são coletados, analisados e integrados para responder à mesma pergunta. Creswell distingue três desenhos básicos pela ordem e pela prioridade.
| Desenho | Ordem | Integração | Quando |
|---|---|---|---|
| Convergente paralelo | QUAN + QUAL ao mesmo tempo | Compara e funde os resultados | Quer confirmação e complemento sobre o mesmo fenômeno |
| Sequencial explanatório | QUAN → qual | O qualitativo explica resultados quantitativos surpreendentes | Survey ou registros apontam padrão sem razão clara |
| Sequencial exploratório | QUAL → quan | O qualitativo gera itens/hipóteses que o quantitativo testa | Construir instrumento ou taxonomia num campo pouco conhecido |
Adotou-se desenho misto sequencial explanatório: na fase 1, [survey/registros] com N; na fase 2, [entrevistas] com participantes selecionados a partir dos resultados da fase 1 (critério: …). A integração ocorreu na interpretação, por meio de [matriz de convergência / joint display], em que cada resultado quantitativo foi confrontado com as categorias qualitativas correspondentes.
Dois estudos em um. Um capítulo quantitativo e um qualitativo que nunca se encontram não são método misto — são dois trabalhos. A integração precisa aparecer num produto concreto: uma tabela conjunta, uma seção que confronta, uma decisão que só existe porque os dois se cruzaram.
Reprodutibilidade: o que outro pesquisador precisa receber
Um resultado é reprodutível quando outra pessoa, com os seus dados e o seu procedimento, chega ao mesmo número. Isso não acontece por acaso: exige dados, código, ambiente e decisões guardados como parte do método.
| Artefato | Mínimo | Onde |
|---|---|---|
| Dados | Brutos e tratados, com dicionário de variáveis; anonimizados se pessoais | Repositório de dados (OSF, Zenodo, LattesData) ou apêndice |
| Código / scripts | Do dado bruto à figura, executável de ponta a ponta | Git (GitHub/GitLab) com versão citada |
| Ambiente | Versões de software e pacotes; semente aleatória | requirements.txt, renv.lock, seção de métodos |
| Decisões | Exclusões, transformações, mudanças no plano — datadas | Arquivo de decisões no repositório |
| Pré-registro | Hipóteses, n, análise, antes da coleta | OSF Registries; PROSPERO para revisões |
Toda tabela e figura dos Resultados tem um script que a gera a partir do dado. Quando o dado muda — e muda — a figura muda junto, e a banca que pedir o número recebe o script.
Colocar tudo num documento que pode ser avaliado
Estrutura conforme a NBR 15287, cronograma, orçamento e o caminho do comitê de ética.
Estrutura do projeto de pesquisa (NBR 15287:2025)
O projeto é o contrato entre você, o orientador e o programa: diz o que será feito, como, em quanto tempo e por quê. A ABNT NBR 15287:2025 (3ª edição, 18/03/2025, substitui a de 2011) fixa os elementos; o programa fixa o tamanho.
Pré-textuais
- Capa — opcional na versão 2025 (use se o programa exigir)
- Folha de rosto — obrigatória: autor, título, tipo de projeto, instituição, orientador, local, ano
- Dados curriculares do autor — opcional, em página separada
- Listas de ilustrações, tabelas, abreviaturas e símbolos — opcionais
- Sumário — obrigatório (NBR 6027)
Textuais — encadeados, na ordem da norma
- Introdução: tema e contexto
- Problema de pesquisa
- Justificativa: lacuna, relevância, contribuição
- Objetivos: geral e específicos
- Hipóteses (quando aplicável)
- Fundamentação teórica e estado da arte
- Metodologia: classificação, população e amostra, técnicas, instrumentos, análise, ética
- Recursos e cronograma
Pós-textuais
- Referências (NBR 6023:2025) — obrigatório
- Apêndices (instrumentos, TCLE, roteiros — de sua autoria)
- Anexos (documentos de terceiros)
- Glossário e índice — opcionais
Coerência interna é o critério de avaliação: cada objetivo específico tem uma técnica na metodologia, uma linha no cronograma e um resultado esperado. Um avaliador experiente lê os objetivos e a metodologia lado a lado; se não batem, o resto não importa.
Referencial teórico como resumo de livros. Dez páginas explicando o que é automação não fundamentam nada. O referencial apresenta os conceitos que serão usados na análise, com a definição adotada e a razão de tê-la escolhido entre as alternativas.
Cronograma e orçamento
O cronograma é a metodologia projetada no tempo; o orçamento, a metodologia projetada em dinheiro. Os dois são onde a viabilidade deixa de ser promessa.
| Item de orçamento | Exemplos | Fonte |
|---|---|---|
| Material e serviços | Transcrição, tradução, impressão, software | Bolsa, PROAP, edital interno |
| Deslocamento | Visitas ao campo, eventos | Auxílio do programa, CAPES/PrInt |
| Equipamento e dados | Sensores, licenças, acesso a bases | Laboratório, convênio |
| Publicação | Taxa de processamento (APC), revisão de inglês | Edital de apoio à publicação |
Cronograma por objetivo específico, não por capítulo: a banca quer ver quando cada resultado parcial fica pronto. Coleta só depois do parecer do CEP; redação em paralelo à análise, não depois.
Comitê de ética: o caminho na Plataforma Brasil
Se a pesquisa envolve seres humanos — direta ou indiretamente, por dado identificável — o projeto passa pelo CEP antes da coleta. O sistema é único, nacional, e gera o número CAAE que vai na dissertação.
- Cadastro do pesquisador na Plataforma Brasil, vinculado ao currículo Lattes e à instituição.
- Projeto detalhado: título, resumo, hipótese, metodologia, critérios de inclusão/exclusão, riscos e benefícios, cronograma, orçamento — nos campos do formulário.
- TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido): linguagem acessível, objetivos, procedimentos, riscos, direito de desistir, sigilo, contatos, duas vias. Para menores, TALE + consentimento do responsável.
- Documentos: folha de rosto assinada pela instituição, carta de anuência do local de coleta, instrumentos (questionário, roteiro), termo de compromisso de uso de dados (se secundários identificáveis).
- Submissão e tramitação: checagem documental → relatoria → parecer (aprovado / pendência / não aprovado). Pendência é normal; responda item a item.
- Parecer consubstanciado com CAAE: vai como anexo da dissertação; a coleta começa aqui.
- Emendas para qualquer mudança de instrumento ou população; relatório final ao concluir.
| Situação | Passa pelo CEP? |
|---|---|
| Entrevista, questionário, grupo focal, observação de pessoas | sim |
| Dados de RH, prontuários, registros com identificação | sim |
| Dados secundários públicos e anonimizados (IBGE, ANTAQ) | não |
| Revisão de literatura; ensaio teórico; simulação sem dado pessoal | não |
| Pesquisa de opinião pública sem identificação (Res. 510/2016, art. 1º) | isenta, mas consulte o CEP |
«É só uma entrevista com colegas.» Colegas são seres humanos e a hierarquia no trabalho é fator de risco (coação). É justamente o caso que o CEP olha com mais atenção — e o TCLE precisa dizer que a participação não afeta o vínculo.
Escrever para ser verificado
Dissertação e artigo conforme a ABNT, citações, referências, escrita científica, plágio e defesa.
Estrutura da dissertação e da tese (NBR 14724:2024)
A 4ª edição (16/12/2024) substitui a de 2011 com ajustes pontuais: ficha catalográfica «conforme código de catalogação vigente» (sem citar o AACR2); páginas pré-textuais contadas mas não numeradas, e o verso da folha de rosto nem contado; fonte obrigatória em tabelas; ilustrações de autoria própria indicadas como «Elaboração própria».
Pré-textuais
- Capa · lombada (opcional)
- Folha de rosto · ficha catalográfica no verso (em arquivo eletrônico, após a folha de rosto)
- Errata (se houver)
- Folha de aprovação
- Dedicatória · agradecimentos · epígrafe (opcionais)
- Resumo em português e em língua estrangeira (NBR 6028: 150–500 palavras, parágrafo único, palavras-chave)
- Listas de ilustrações, tabelas, siglas, símbolos
- Sumário (NBR 6027)
Textuais
- Introdução: contexto, problema, objetivos, justificativa, estrutura
- Desenvolvimento: referencial teórico · metodologia · resultados · discussão (a divisão em capítulos é do programa)
- Conclusão: responde aos objetivos; limites; trabalhos futuros
Formatação usual: A4, fonte 12, espaço 1,5, margens 3/2/3/2 cm, numeração progressiva (NBR 6024); pré-textuais contadas e não numeradas, numeração visível a partir da introdução; identificação e fonte de figuras dentro das margens da própria figura; anexos com referência em nota ou lista própria.
Pós-textuais
- Referências (NBR 6023:2025) — obrigatório
- Glossário
- Apêndices (de sua autoria: instrumentos, TCLE, scripts)
- Anexos (de terceiros: parecer do CEP, cartas de anuência)
- Índice
O programa tem um guia próprio ou um modelo (template) que prevalece sobre a ABNT em detalhes de formatação. Peça-o à secretaria antes de escrever a primeira página; migrar formatação depois custa dias.
Conclusão que resume. Conclusão não é resumo dos capítulos: é a resposta à pergunta, objetivo por objetivo, seguida do que os dados não permitem afirmar. Se a introdução prometeu três objetivos, a conclusão tem três respostas.
O artigo científico: IMRaD e o resumo
O artigo segue a lógica IMRaD — Introdução, Métodos, Resultados e Discussão — porque é a ordem em que um leitor cético verifica o trabalho. O resumo é a única parte que a maioria lerá; escreva-o por último e conte as palavras.
| Seção | Responde a | Contém | Erro comum |
|---|---|---|---|
| Introdução | Por que isto importa e o que não se sabe? | Contexto → lacuna → pergunta/objetivo → contribuição | Revisão longa; objetivo só no fim |
| Métodos | O que foi feito, para poder ser refeito? | Desenho, amostra, instrumentos, análise, ética, software | Descrever o que «se faz» em vez do que foi feito |
| Resultados | O que se encontrou? | Dados, tabelas, figuras — sem interpretar | Discutir dentro dos resultados |
| Discussão | O que significa, frente à literatura? | Interpretação, comparação, limitações, implicações | Repetir resultados; ignorar quem discorda |
| Conclusão | Qual a resposta? | Resposta direta; trabalhos futuros | Afirmar além do dado |
Contexto: uma frase sobre o problema. Objetivo: o objetivo geral, com o verbo. Método: desenho, amostra (n), instrumentos, análise. Resultados: os números principais — com valor, não «foi observado aumento». Conclusão: a resposta e a implicação. Palavras-chave: 3 a 5, separadas por ponto, distintas do título.
Todo número do resumo aparece no corpo, e todo número do corpo bate com a tabela de origem. Conte as palavras — o limite do periódico é conferido pelo editor antes de o parecerista ver o texto.
Citações no texto (NBR 10520:2023)
Citar é atribuir: toda ideia que não é sua tem dono nomeado no texto e endereço na lista. A NBR 10520:2023 (19/07/2023, substitui a de 2002) trouxe três mudanças práticas: o sobrenome entre parênteses deixa de ir em caixa alta — (Gil, 2017), não (GIL, 2017); com quatro ou mais autores pode-se usar «et al.» desde o primeiro, de modo uniforme; e o ponto final encerra a frase, não a citação.
| Tipo | Como fica | Exemplo |
|---|---|---|
| Indireta (paráfrase) | Autor e ano; página opcional | Para Gil (2017), a pesquisa exploratória visa maior familiaridade com o problema. |
| Direta curta (até 3 linhas) | Entre aspas, no parágrafo, com página | «a pesquisa é um procedimento racional e sistemático» (Gil, 2017, p. 1). |
| Direta longa (mais de 3 linhas) | Recuo de 4 cm, fonte menor, sem aspas, espaço simples, com página | [bloco recuado] (Marconi; Lakatos, 2017, p. 45). |
| Citação de citação | apud — só quando o original é inacessível | (Popper, 1959 apud Estrela, 2018, p. 12) |
| Três ou mais autores | Primeiro autor + et al. | (Page et al., 2021) |
| Mesmo autor, mesmo ano | Letras após o ano | (Paiva, 2024a; 2024b) |
| Supressão / acréscimo | [...] e [ ] | «o método [...] é o caminho» (Severino, 2016, p. 102) |
- Sistema numérico é alternativa (números entre colchetes, na ordem de citação) — usado por muitos periódicos de engenharia; não misture os dois.
- Citação direta de obra em outra língua: traduza e indique «tradução nossa».
- Comunicação pessoal e dados não publicados: em nota, não na lista.
- Paráfrase muito próxima do original, sem aspas, é plágio mesmo com a fonte citada. Ou reescreve de verdade, ou cita entre aspas com página.
Um gerenciador de referências (Zotero) insere a citação e monta a lista no estilo escolhido — e evita a falha mais comum: obra citada no texto que não está na lista, ou vice-versa. Confira os dois sentidos antes de entregar.
Lista de referências (NBR 6023:2018)
A lista é o endereço de cada citação: ordem alfabética, alinhada à esquerda, espaço simples, separadas por uma linha em branco; destaque do título uniforme. A NBR 6023:2025 (3ª edição, 21/05/2025) substituiu a de 2018 mantendo os modelos de livro e artigo e ampliando os de fontes on-line, mídias sociais, podcasts e identificadores persistentes (DOI) — confira o tutorial da sua biblioteca para os novos formatos.
Livro MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017. Capítulo ESTRELA, C. Ciência e método científico. In: ESTRELA, C. (org.). Metodologia científica: ciência, ensino e pesquisa. 3. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2018. p. 3-19. Artigo PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, London, v. 372, n71, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n71. Dissertação SOBRENOME, N. Título: subtítulo. 2026. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2026. Norma ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6023: informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. Documento web BRASIL. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Portaria nº 2.664, de 6 de março de 2026. Brasília, DF: CNPq, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/cnpq/. Acesso em: 8 set. 2026. Legislação BRASIL. Lei nº 14.874, de 28 de maio de 2024. Dispõe sobre a pesquisa com seres humanos. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 29 maio 2024.
DOI sempre que existir; «Disponível em / Acesso em» para o que só existe on-line. Toda referência da lista é citada no texto; bibliografia consultada mas não citada vai em lista separada, se o programa aceitar.
Referência gerada e não conferida. Gerenciadores e assistentes de IA formatam bem e erram silenciosamente — coautor truncado, ano da versão errada, DOI que não resolve. Resolva cada DOI antes de entregar; o manual de IA detalha o procedimento.
Escrita científica: clareza, precisão, impessoalidade
Texto científico é o que um leitor cético consegue verificar frase a frase. Cada frase afirma uma coisa, diz de onde ela vem e não diz mais do que o dado sustenta.
| Em vez de | Escreva | Por quê |
|---|---|---|
| «Observou-se um aumento significativo» | «A taxa subiu de 2,1 para 3,4 por milhão (IC 95%: 0,8–1,8; p = 0,003)» | Número, incerteza, teste |
| «Muitos autores afirmam» | «Gil (2017) e Yin (2015) afirmam» | Atribuição verificável |
| «É amplamente sabido que» | [retire, ou cite] | Ou tem fonte, ou é opinião |
| «Os resultados provam» | «Os resultados indicam / são compatíveis com» | Dado não prova; sustenta |
| «Neste trabalho, eu fiz» | «Realizou-se» / «Este estudo realizou» | Impessoalidade (padrão ABNT; alguns periódicos aceitam 1ª pessoa) |
| Frase de 60 palavras com três orações subordinadas | Duas frases | Uma ideia por frase |
| «Etc.», «entre outros» | A lista completa, ou o critério | O leitor não adivinha |
- Parágrafo = uma ideia: frase-tópico, sustentação, fecho. Se o parágrafo tem duas ideias, são dois parágrafos.
- Tempo verbal: métodos e resultados no passado; conhecimento estabelecido no presente.
- Siglas: por extenso na primeira ocorrência, sigla entre parênteses; lista de siglas se passar de dez.
- Tabela × figura: tabela para valores exatos; figura para padrão. Título acima da tabela, abaixo da figura (IBGE/ABNT); fonte sempre.
- Coesão: cada seção começa dizendo o que faz e termina dizendo o que mostrou; conectivos entre parágrafos.
Leia em voz alta um trecho por sessão de revisão: o ouvido pega a frase que o olho já não vê. E dê o texto a alguém de fora da área — se não entende o objetivo em uma página, a introdução não está pronta.
Plágio, autoplágio e autoria
Plágio é apresentar como sua ideia, texto, dado ou imagem de outra pessoa — com ou sem intenção. A responsabilidade é do autor, e a consequência vai da reprovação à anulação do título. A Portaria CNPq 2.664/2026 e a Lei 9.610/1998 são a base.
| Forma | O que é | Como evitar |
|---|---|---|
| Integral | Copiar texto sem aspas nem fonte | Aspas + página, ou paráfrase real + fonte |
| Parcial / mosaico | Trechos de várias fontes costurados | Fichar com página; escrever a partir das fichas, não dos textos |
| Conceitual | Ideia alheia com palavras suas, sem crédito | Atribuir a ideia, não só o texto |
| De tradução | Traduzir e assinar | Citar com «tradução nossa» |
| Autoplágio | Reapresentar texto seu já publicado como inédito | Citar-se; declarar reaproveitamento ao periódico |
| De dados / imagens | Usar figura ou dado sem autorização e crédito | Licença; «Fonte:» em toda figura; pedir permissão à editora |
- Autoria (ICMJE/CRediT): contribuiu substancialmente, escreveu ou revisou criticamente, aprovou a versão final, responde pelo todo. Orientador é coautor se cumpre os quatro — não por função.
- Ferramentas de similaridade (Turnitin, iThenticate, CopySpider) apontam coincidências; quem julga é o leitor. Índice alto em referências e citações corretas não é plágio; índice baixo com paráfrase próxima pode ser.
- IA generativa: texto gerado não é produção intelectual do pesquisador; o uso é declarado com ferramenta, fase e finalidade — o manual de IA traz o modelo de declaração.
Escreva a partir das fichas, com o livro fechado. É a única forma segura de parafrasear: o que sai é a sua compreensão, não uma variação do original.
Qualificação e defesa: o que a banca avalia
A banca não avalia se o tema é bonito. Avalia se a pergunta é clara, se o método responde a ela, se os dados sustentam a conclusão e se o texto permite verificar tudo isso. Prepare-se para essas quatro perguntas; o resto é detalhe.
Preparação
- Apresentação de 20–30 minutos (o programa define): problema → objetivos → método → resultados → conclusão. Um slide por objetivo específico com o resultado correspondente.
- Leia a banca: os trabalhos recentes de cada membro; antecipe a pergunta que cada um faria a partir da própria linha.
- Lista de fraquezas: escreva você mesmo as cinco objeções mais fortes ao trabalho e a resposta honesta a cada uma. A banca vai fazer pelo menos três delas.
- Ensaio cronometrado com o grupo de pesquisa fazendo perguntas hostis.
- Material à mão: dados, tabelas completas, referências — a pergunta «qual foi o n desse grupo?» merece resposta imediata.
| Pergunta típica | O que ela testa | Resposta boa começa com |
|---|---|---|
| «Por que esse método e não outro?» | Coerência pergunta–método | «Porque a pergunta pede […]; a alternativa […] não permitiria […]» |
| «Isso generaliza?» | Validade externa | «Para […], sim, porque […]; para […], não, e o texto diz isso na seção […]» |
| «Esse resultado não poderia ser explicado por […]?» | Confundidores | «Controlamos […]; não controlamos […], e é a limitação 2» |
| «Qual é a contribuição?» | Justificativa | «Antes deste trabalho não se sabia […]; agora se sabe […] com […]» |
| «O senhor leu […]?» | Domínio da literatura | Se não leu: «Não. Vou incorporar.» — e anote |
Defender o que o dado não sustenta. A banca respeita «o dado não permite afirmar isso» e pune «mas eu acredito que». Conceder um ponto bem-fundamentado é sinal de maturidade, não de fraqueza.
O que instalar, e para quê
Referências, escrita, identidade acadêmica, bases e análise — com a tela real de cada uma.
Gerenciador de referências: a fonte de verdade da bibliografia
Um gerenciador guarda o registro, o PDF e as notas de cada obra, insere a citação no texto e monta a lista no estilo escolhido. É a única forma de manter texto e lista sincronizados numa dissertação com 150 referências.
| Ferramenta | Custo | Pontos fortes | Atenção |
|---|---|---|---|
| Zotero | Livre; sincronização com cota | Connector no navegador; plugins (Better BibTeX, ABNT); leitor de PDF com anotações; grupos | Estilo ABNT: instale o CSL «ABNT» e confira a versão da norma |
| Mendeley | Gratuito (Elsevier) | Leitor de PDF; integração com Scopus | Recursos reduzidos nas versões recentes; conta obrigatória |
| EndNote | Pago; licença institucional comum | Integração com Web of Science | Portabilidade ao sair da instituição |
| JabRef | Livre | Nativo em BibTeX; ideal com LaTeX | Sem leitor de PDF integrado |
- Instale o aplicativo e o Connector; ative a sincronização.
- Crie a coleção do projeto; subcoleções por capítulo ou por etapa da revisão.
- Adicione por identificador (DOI, ISBN) sempre que possível — nunca digite uma referência.
- Instale o estilo ABNT (repositório de estilos CSL) e teste com três tipos de obra.
- No editor de texto, use o plugin: citar → «adicionar bibliografia» → a lista se atualiza sozinha.
- Exporte a biblioteca inteira (RIS/BibTeX) a cada marco e guarde com o projeto.
A lista de referências nunca é editada à mão no documento final: corrige-se o registro no gerenciador e regenera-se. Edição manual quebra a sincronia na primeira mudança.
Escrita: Word com modelo, LaTeX com abnTeX2, ou Overleaf
A escolha é entre controle e conforto. Word/LibreOffice com o modelo do programa resolve a maioria das dissertações; LaTeX paga sua curva de aprendizado em trabalhos com muitas equações, figuras e referências — e no Overleaf dispensa instalação.
| Opção | Melhor para | Formatação ABNT | Referências |
|---|---|---|---|
| Word / LibreOffice | Texto corrido; orientador que comenta no arquivo | Modelo (.dotx) da biblioteca do programa | Plugin do Zotero/Mendeley |
| LaTeX + abnTeX2 | Equações, figuras numeradas, referências extensas | Classe abntex2, estilo abntex2cite | BibTeX/BibLaTeX; Better BibTeX exporta do Zotero |
| Overleaf | LaTeX sem instalar; coautoria em tempo real | Modelos abnTeX2 na galeria | Sincroniza com Zotero e Mendeley |
| Markdown + Pandoc | Texto versionado em Git; exporta para DOCX e PDF | Modelo de referência DOCX ou template LaTeX | CSL via --citeproc |
Formatar no fim. Aplicar o modelo depois de 120 páginas escritas gera dias de retrabalho com estilos, numeração e listas. Comece no modelo; escreva dentro dele.
\documentclass[12pt,a4paper,oneside,brazil]{abntex2}
\usepackage[alf]{abntex2cite} % autor-data (NBR 10520)
\titulo{…} \autor{…} \orientador{…} \instituicao{…} \data{2026}
\begin{document} \imprimircapa \imprimirfolhaderosto \tableofcontents
\textual … \postextual \bibliography{referencias} \end{document}Identidade acadêmica: Lattes, ORCID e Sucupira
Três cadastros que o mestrando faz no primeiro semestre e mantém pelo resto da carreira. O Lattes é exigido pelo CNPq, pela CAPES e pelo CEP; o ORCID é exigido por periódicos e agências; a Sucupira é onde o programa (e o seu Qualis) é avaliado.
Vincule o ORCID ao Lattes e ao Overleaf/periódicos; registre produções nos dois. Antes de escolher o periódico-alvo, confira o estrato Qualis da área do seu programa na Sucupira e o quartil SJR na SCImago — os dois mudam com o tempo e não coincidem entre si.
Bases de dados e guias de relato
| Recurso | Acesso | Para |
|---|---|---|
| Portal de Periódicos CAPES | CAFe (login institucional) | WoS, Scopus, IEEE, ScienceDirect, Springer — texto completo |
| SciELO | Aberto | Periódicos brasileiros e ibero-americanos |
| BDTD / Catálogo de Teses CAPES | Aberto | Teses e dissertações defendidas no Brasil |
| OpenAlex · Crossref · Semantic Scholar | Aberto, com API | Metadados, citações, verificação de DOI, figuras por script |
| Google Scholar | Aberto | Localizar texto completo; alertas — não é base de revisão |
| EQUATOR Network | Aberto | Catálogo de guias de relato por desenho: PRISMA, CONSORT, STROBE, COREQ, SRQR… |
| Desenho | Guia de relato |
|---|---|
| Revisão sistemática · de escopo | PRISMA 2020 · PRISMA-ScR |
| Ensaio controlado · quase-experimento | CONSORT · TREND |
| Observacional (coorte, caso-controle, transversal) | STROBE |
| Qualitativo (entrevistas, grupos focais) | COREQ · SRQR |
| Survey | CHERRIES (on-line) · CROSS |
Escolha o guia de relato junto com o método e leia-o inteiro na fase de projeto. Um guia lido no fim é uma lista do que faltou.
Ferramentas de análise e organização
| Tarefa | Livre / gratuita | Comercial | Observação |
|---|---|---|---|
| Estatística | R (+ RStudio), Python (pandas, statsmodels), JASP, jamovi, PSPP | SPSS, Stata, Minitab | JASP e jamovi têm interface de menu com saída reprodutível; R/Python versionam a análise |
| Qualitativa (CAQDAS) | QualCoder, Taguette, RQDA | Atlas.ti, NVivo, MAXQDA | Exporte o livro de códigos e a matriz; a IA embutida segue as regras do manual de IA |
| Transcrição | Whisper (local), oTranscribe | Serviços on-line | Voz é dado biométrico: prefira local; confira contra o áudio |
| Questionário | LimeSurvey, Google Forms, Microsoft Forms | Qualtrics, SurveyMonkey | Onde ficam os dados? Verifique antes de coletar |
| Bibliometria | VOSviewer, Bibliometrix (R), CiteSpace | — | Descrevem o corpus recuperado, não o campo |
| Planilha e dados | LibreOffice Calc, Google Sheets, CSV + Git | Excel | Dado bruto nunca é editado; transformações em script |
| Gestão do projeto | Obsidian, Notion, Trello, Git | — | Um lugar para decisões datadas |
Prefira a ferramenta que deixa rastro reproduzível: script em vez de clique, exportação em texto em vez de formato fechado, versão anotada no método. A banca pode pedir para refazer uma tabela; com script, leva um minuto.
Entra em quase todas as linhas desta tabela — como editor, programador, indexador — e em nenhuma como quem decide. O que pode, o que precisa ser declarado e o que não pode está no manual irmão, Uso de IA na pesquisa científica, com a matriz de permissões e o modelo de declaração.
Erros, checklist, glossário e referências
O que costuma dar errado, o que conferir antes de qualificar e defender, e as fontes.
Erros típicos — e em que etapa nascem
| Erro | Como parece | Onde nasceu | Correção |
|---|---|---|---|
| Pergunta que não termina | Tema em vez de pergunta; objetivo «analisar a automação» | Do tema ao problema | tabela vazia do resultado |
| Objetivo específico que é etapa | «Revisar a literatura»; «coletar dados» | Objetivos | um resultado por objetivo |
| Classificação por adjetivos | «exploratória, descritiva, explicativa, quali-quanti…» | Classificação | uma resposta por eixo |
| Método por afinidade | Estudo de caso para pergunta de prevalência | Escolha do método | tabela pergunta → desenho |
| Amostra sem população | «Foram entrevistados 12 operadores» | Amostragem | população, critério, saturação |
| Instrumento sem pré-teste | Item ambíguo descoberto na análise | Instrumento | pré-teste registrado |
| Coleta antes do parecer | Dado inutilizável | Ética | CEP no cronograma |
| Procurar o p | Dez testes, um reportado | Análise | pré-registro; exploratório rotulado |
| Categoria sem trecho | Interpretação sem evidência literal | Análise qualitativa | trecho + fonte + linha |
| Conclusão além do dado | «Prova que…»; generaliza de um caso | Redação | «indica»; limites explícitos |
| Lista e texto dessincronizados | Obra citada sem referência e vice-versa | Referências | gerenciador; conferência nos dois sentidos |
| Norma desatualizada | Citação em caixa alta; capa obrigatória no projeto | Formatação | NBR 10520:2023 · 14724:2024 · 15287:2025 · 6023:2025 |
Checklist: antes de qualificar, antes de defender
Marque conforme concluir. O estado fica salvo neste navegador — não é compartilhado nem enviado a lugar nenhum.
Glossário — fundamentos, desenhos e coleta
Tudo que aparece no manual sem ser explicado no próprio slide. Termos sublinhados no texto abrem estas definições.
Fundamentos e método
- Conhecimento científico
- Conhecimento racional, sistemático, verificável e falível, produzido por método explícito.
- Método científico
- Conjunto de procedimentos que permite a outro pesquisador refazer o caminho e chegar ao mesmo resultado.
- Indução · dedução · hipotético-dedutivo
- Do particular ao geral; do geral ao particular; da conjectura à tentativa de refutação (Popper).
- Falseabilidade
- Propriedade de um enunciado que pode ser refutado por observação; critério de cientificidade.
- Paradigma · visão de mundo
- Conjunto de crenças sobre o que a realidade é e como pode ser conhecida (pós-positivista, construtivista, transformador, pragmático).
- Abordagem quantitativa · qualitativa · mista
- Dado numérico e teste de hipótese; dado textual e interpretação; combinação integrada por desenho.
- Pesquisa básica · aplicada
- Gera conhecimento sem aplicação imediata; resolve problema concreto.
- Exploratória · descritiva · explicativa
- Classificação por objetivo (Gil): familiarizar-se; caracterizar; identificar causas.
- Problema · pergunta de pesquisa
- Dificuldade sem resposta na literatura; a mesma dificuldade formulada de modo verificável.
- Hipótese · pressuposto
- Resposta provisória testável (quantitativa); questão norteadora (qualitativa).
- Variável independente · dependente · de controle
- Causa presumida; efeito medido; o que se mantém constante ou se ajusta.
- Definição operacional
- Como uma variável é medida na prática (o que conta como «incidente»).
- Justificativa · delimitação
- Por que a pergunta vale a pena (lacuna, relevância, contribuição); o que fica fora e por quê.
- Estado da arte · referencial teórico
- O que já se sabe e onde está a lacuna; os conceitos usados para ler os dados.
- Fichamento · matriz de síntese
- Registro estruturado de leitura, com página; tabela com uma linha por estudo.
Desenhos e coleta
- Bibliográfica · documental
- Fontes publicadas; fontes primárias não tratadas (relatórios, atas, registros).
- Experimental · quase-experimental · ex-post-facto
- Manipula e aleatoriza; manipula sem aleatorizar; compara grupos quando a causa já ocorreu.
- Levantamento (survey)
- Interrogação direta de uma amostra por questionário ou formulário.
- Estudo de caso
- Investigação em profundidade de um ou poucos casos em contexto real, com várias fontes (Yin).
- Pesquisa-ação · participante
- Pesquisador e participantes transformam a situação enquanto a estudam.
- Design science (DSR)
- Construção e avaliação de um artefato que resolve um problema.
- Revisão sistemática · de escopo
- Levantamento com protocolo, busca reproduzível e triagem por critérios; a de escopo mapeia o campo.
- População · amostra · unidade de análise
- Conjunto de interesse; parte observada; o que é contado (pessoa, terminal, evento).
- Amostragem probabilística · não probabilística
- Com sorteio e probabilidade conhecida; sem sorteio (conveniência, intencional, bola de neve, cotas).
- Margem de erro · nível de confiança · poder
- Precisão da estimativa; probabilidade de o intervalo conter o valor; probabilidade de detectar um efeito real.
- Saturação
- Ponto em que novas coletas qualitativas não trazem categoria nova.
- Questionário · formulário · entrevista · grupo focal
- Autoaplicado; aplicado pelo pesquisador; diálogo estruturado ou não; discussão em grupo moderada.
- Escala Likert
- Escala de concordância em pontos (5 ou 7), com rótulos.
- Pré-teste · validação por juízes
- Aplicação-piloto do instrumento; avaliação de clareza e pertinência por especialistas.
- Alfa de Cronbach · κ de Cohen
- Consistência interna de uma escala; concordância entre avaliadores descontado o acaso.
- Validade interna · externa · de constructo
- A causa é a suposta; vale além da amostra; o instrumento mede o conceito.
- Credibilidade · transferibilidade · dependabilidade · confirmabilidade
- Critérios de qualidade da pesquisa qualitativa (Lincoln & Guba).
- Triangulação
- Uso de fontes, métodos ou pesquisadores diferentes para o mesmo fenômeno, procurando a discordância.
- Grupo de controle · aleatorização · cegamento
- Comparação sem intervenção; sorteio para os grupos; quem mede não sabe o grupo.
- TCLE · TALE · CAAE
- Termo de consentimento; termo de assentimento (menores); número do protocolo no CEP.
- CEP · CONEP · Plataforma Brasil
- Comitê local; comissão nacional; sistema de submissão.
Glossário — análise, normas e escrita
Análise de dados, normas ABNT, citação, integridade e identidade acadêmica.
Análise e escrita
- Estatística descritiva · inferencial
- Resume o dado (média, mediana, desvio); generaliza para a população (testes, IC).
- Valor-p · tamanho de efeito · IC 95%
- Probabilidade do dado sob a hipótese nula; magnitude da diferença; faixa plausível do efeito.
- Pressupostos
- Condições que um teste exige (normalidade, variâncias iguais, independência).
- Regressão (linear, logística, Poisson)
- Modelos que relacionam preditores a desfecho numérico, binário ou de contagem.
- Análise de conteúdo (Bardin) · análise temática
- Pré-análise, exploração e tratamento; identificação de temas em dados textuais.
- Codificação · livro de códigos · categoria
- Atribuir rótulos a trechos; documento que define cada rótulo; agrupamento de códigos.
- CAQDAS
- Software de apoio à análise qualitativa (Atlas.ti, NVivo, MAXQDA, QualCoder).
- Métodos mistos: convergente · sequencial
- Quanti e quali ao mesmo tempo; um depois do outro (explanatório: QUAN→qual; exploratório: QUAL→quan).
- Reprodutibilidade · pré-registro
- Outro chega ao mesmo resultado com dados e código; plano público e datado antes da coleta (OSF).
- p-hacking
- Testar muitas relações e reportar só a significativa.
- IMRaD
- Introdução, Métodos, Resultados e Discussão — estrutura do artigo.
- NBR 14724 · 15287 · 10520 · 6023 · 6028 · 6024 · 6027
- Normas ABNT: trabalho acadêmico (2024); projeto (2025); citações (2023); referências (2025); resumo (2021); numeração progressiva; sumário.
- Citação direta · indireta · apud
- Transcrição literal com página; paráfrase; citação de citação.
- Sistema autor-data · numérico
- Sobrenome e ano no texto; números na ordem de citação.
- Plágio · autoplágio
- Apropriação de texto, ideia ou dado alheio sem crédito; reapresentação de texto próprio como inédito.
- CRediT
- Taxonomia de papéis de contribuição para declarar autoria.
- Qualis · SJR · JIF
- Estratos CAPES por área; SCImago Journal Rank; fator de impacto.
- Lattes · ORCID · Sucupira
- Currículo nacional (CNPq); identificador do pesquisador; plataforma de avaliação da pós (CAPES).
- DOI · ISSN · ISBN
- Identificadores persistentes de documento, periódico e livro.
- abnTeX2 · CSL
- Classe LaTeX para ABNT; linguagem de estilos de citação usada por Zotero e Pandoc.
Referências — livros e método
Metodologia — obras de base
- MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
- MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
- GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
- GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
- SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 24. ed. São Paulo: Cortez, 2016.
- ESTRELA, C. (org.). Metodologia científica: ciência, ensino e pesquisa. 3. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2018. ISBN 978-85-367-0274-2.
- PAIVA, V. L. M. O. Pesquisa: projeto, geração de dados e divulgação. São Paulo: Parábola, 2024. ISBN 978-85-7934-315-5.
- VIEIRA, J. G. S. Metodologia de pesquisa científica na prática. Curitiba: Fael, 2010.
- DUARTE, L. R. R. Metodologia da pesquisa científica. E-book. 2018.
- PRODANOV, C. C.; FREITAS, E. C. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013.
- CRESWELL, J. W.; CRESWELL, J. D. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 5. ed. Porto Alegre: Penso, 2021.
- YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015.
- BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.
- THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
Método, relato e integridade
- PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 statement. BMJ 2021;372:n71.doi.org/10.1136/bmj.n71
- KITCHENHAM, B.; CHARTERS, S. Guidelines for performing systematic literature reviews in software engineering. EBSE 2007-001.
- EQUATOR Network — guias de relato por desenho.equator-network.org
- LINCOLN, Y. S.; GUBA, E. G. Naturalistic inquiry. Newbury Park: Sage, 1985.
- BRASIL. Lei nº 14.874, de 28 de maio de 2024. Dispõe sobre a pesquisa com seres humanos.planalto.gov.br/…/l14874.htm
- CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016 (ética em pesquisa com seres humanos; ciências humanas e sociais).conselho.saude.gov.br
- BRASIL. Lei nº 13.709/2018 (LGPD); Lei nº 9.610/1998 (direitos autorais).planalto.gov.br/…/l13709.htm
- CNPq. Portaria nº 2.664, de 6 de março de 2026 — Política de Integridade na Atividade Científica.gov.br/cnpq/…/comissao-de-integridade
- FCHSSALLA/CGEE. Diretrizes para a ética na pesquisa e a integridade científica. Brasília: CGEE, 2024.cgee.org.br/…
- ICMJE. Defining the role of authors and contributors; CRediT taxonomy.icmje.org/recommendations/…
- MATIAS, J. P. M. Uso de IA na pesquisa científica: manual prático. MirandasTech, 2026.manual.mirandastech.com.br
Referências — normas ABNT vigentes e ferramentas
Normas ABNT (versões vigentes)
- ABNT NBR 14724:2024 — Informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. 4. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 16 dez. 2024. Substitui a de 2011.
- ABNT NBR 15287:2025 — Projeto de pesquisa: apresentação. 3. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 18 mar. 2025. Substitui a de 2011.
- ABNT NBR 10520:2023 — Citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 19 jul. 2023. Substitui a de 2002.
- ABNT NBR 6023:2025 — Referências: elaboração. 3. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 21 maio 2025. Substitui a de 2018 (e sua Errata 2:2023).
- ABNT NBR 6028:2021 — Resumo, resenha e recensão: apresentação.
- ABNT NBR 6024:2012 — Numeração progressiva das seções. ABNT NBR 6027:2012 — Sumário.
- ABNT NBR 6022:2018 — Artigo em publicação periódica técnica e/ou científica.
O texto oficial é vendido pela ABNT (abnt.org.br) e disponível nas universidades pelo Target GEDWeb; as bibliotecas universitárias (UFU, UFV, UFSCar, PUCPR) publicam tutoriais atualizados. Confira sempre a data da norma no guia do seu programa.
Ferramentas e plataformas
- Plataforma Brasil (CEP/CONEP)plataformabrasil.saude.gov.br
- Plataforma Lattes (CNPq) · ORCID · Plataforma Sucupira (CAPES)lattes.cnpq.br
- Portal de Periódicos CAPES · SciELO · BDTD/IBICTperiodicos.capes.gov.br
- OSF Registries · PROSPERO · PRISMAosf.io/registries
- Zotero · Overleaf · abnTeX2 · Pandocabntex.net.br
- OpenAlex · Crossref · Semantic Scholar (APIs abertas)openalex.org
- R · Python · JASP · jamovi · VOSviewer · Bibliometrix · QualCoderjasp-stats.org
Manual: metodologia.mirandastech.com.br · PDF
Deck (HTML e PDF), capturas datadas, script da figura, agente Metodólogo para o Claude Code (conduz a entrevista de decisão, monta o projeto NBR 15287:2025, confere ABNT, simula a banca e controla o checklist) e scripts (projeto, citações, tamanho de amostra, cronograma): github.com/joaopaulomirandamatias/metodologia-pesquisa-cientifica. Instale-o junto com o Orientador do manual de IA — os dois trabalham na mesma pasta.
Como usar os dois manuais juntos: Metodólogo + Orientador
Cada manual tem um agente para o Claude Code. Instalados os dois, eles trabalham na mesma pasta de projeto: o Metodólogo decide sobre método; o Orientador decide sobre o uso de IA. Os dois compartilham o registro de decisões e o registro de uso, e cada um controla o próprio checklist.
$ git clone https://github.com/joaopaulomirandamatias/metodologia-pesquisa-cientifica.git $ git clone https://github.com/joaopaulomirandamatias/ia-na-pesquisa-cientifica.git $ bash metodologia-pesquisa-cientifica/scripts/instalar_skills.sh # agente metodologo + 4 skills $ bash ia-na-pesquisa-cientifica/scripts/instalar_skills.sh # agente orientador + 2 skills # projeto: qualquer um dos dois cria a estrutura; o outro só acrescenta o que falta $ python3 metodologia-pesquisa-cientifica/scripts/iniciar_projeto.py minha-pesquisa --tema "…" $ python3 ia-na-pesquisa-cientifica/scripts/iniciar_projeto.py minha-pesquisa --tema "…" $ cd minha-pesquisa && claude
| Pergunta do aluno | Quem responde |
|---|---|
| «Qual método uso? Como formulo a pergunta? Quantas entrevistas? Preciso de CEP? Está na ABNT?» | Metodólogo |
| «Posso usar o ChatGPT para isto? Como configuro? Preciso declarar? Posso subir estes resumos?» | Orientador |
| «Registre esta decisão» · «o que já fizemos?» | Ambos, em DECISOES.md e no próprio checklist |
Metodólogo, começar minha pesquisa. → entrevista de decisão: tema → pergunta (tabela vazia) → objetivos → classificação → desenho → amostra → grava 00_projeto/DECISOES_METODO.md e DECISOES.md · monta PROGRESSO_METODOLOGIA.md Orientador, o que posso delegar à IA na revisão de literatura? → matriz de permissões · configura ferramentas · abre USO_DE_IA.csv · monta PROGRESSO_IA.md Metodólogo, monte o projeto. → skill projeto-nbr15287 → 00_projeto/PROJETO.md Orientador, prepare a triagem assistida. → skill triagem-assistida (status preliminar; você decide) Metodólogo, confira minhas citações. → verificar_citacoes.py (NBR 10520:2023 / 6023:2025) Orientador, verifique as referências. → verificar_refs.py (cada DOI na Crossref) Metodólogo, simule a banca. → cinco objeções com resposta · 06_texto/banca.md Orientador, gere a declaração de uso de IA. → a partir de USO_DE_IA.csv
| Arquivo | Quem escreve | Para quê |
|---|---|---|
| DECISOES.md | ambos | toda decisão numerada e datada, com justificativa |
| USO_DE_IA.csv | ambos | uma linha por uso de IA que influenciou decisão ou texto — inclusive dos próprios agentes |
| PROGRESSO_METODOLOGIA.md | Metodólogo | 16 itens de método, marcados só com evidência |
| PROGRESSO_IA.md | Orientador | 16 itens de uso de IA, idem |
| AGENTS.md | modelo | as regras que os dois leem ao abrir a pasta |
Nenhum dos agentes decide pelo aluno, inventa dado ou referência, libera coleta sem CEP ou marca item sem evidência — e cada um encaminha ao outro a pergunta que não é da sua alçada. O manual irmão, de uso de IA, está em manual.mirandastech.com.br.