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Metodologia da pesquisa científica

Do tema ao problema, do problema ao método, do método ao texto: o que decidir em cada etapa, com que critério, e como deixar cada decisão defensável diante de uma banca.

AutorJoão Paulo Miranda Matias
Versão1.0 · setembro de 2026
Formato slides
LicençaCC BY 4.0 — cite a fonte
role para começar
Como usarcada slide é uma decisão que você vai ter de tomar

Um manual sobre decidir — e sobre justificar a decisão

Metodologia não é uma seção que se escreve depois; é a sequência de escolhas que torna um resultado defensável. Este manual organiza essas escolhas na ordem em que aparecem, com o critério para cada uma e a norma que a rege.

Regra

O que decidir e com que critério — formulado para que outra pessoa (a banca) possa conferir se a decisão foi coerente com a pergunta.

Armadilha

O erro que a regra evita, descrito pelo que ele parece quando acontece: quase sempre parece economia de tempo.

Passo a passo

A sequência concreta, com a ferramenta ou a norma aberta. Capturas de tela são reais e datadas; esquemas estão rotulados.

  • As Partes 1 a 3 são o alicerce: o que é conhecimento científico, como nasce um problema, como se escolhe um método.
  • As Partes 4 e 5 tratam de dados — como coletar e como analisar — e a 6, do projeto e da ética.
  • A Parte 7 é a escrita conforme a ABNT; a 8, as ferramentas; a 9, erros, checklist e glossário.
  • Base bibliográfica: Marconi & Lakatos, Gil, Severino, Estrela, Paiva, Creswell, Bardin, Yin e as normas ABNT — todas na lista final.
  • Termos sublinhados abrem a definição ao passar o mouse; o botão + detalhes traz a profundidade que não cabe na tela.
Manual irmão

Para o uso de inteligência artificial em cada uma destas etapas — permissões, registro, declaração — veja Uso de IA na pesquisa científica. Os dois se complementam: este diz o que decidir; aquele, o que delegar.

Parte 1Fundamentos

O que faz um conhecimento ser científico

Ciência e senso comum, método, paradigmas e a ética que vem antes de tudo.

01
Fundamentos1 de 4

Conhecimento científico: o que o distingue

Não é o assunto que torna um conhecimento científico, e sim o modo como ele foi produzido e o modo como pode ser contestado. Marconi e Lakatos resumem em quatro traços: é racional, sistemático, verificável e falível.

TipoComo se produzComo se sustentaExemplo
Senso comumExperiência cotidiana, tradição, repetição«Sempre foi assim»; não separa causa de coincidência«Contêiner atrasa quando chove»
Religioso / filosóficoRevelação; reflexão racional sem teste empíricoCoerência interna, autoridadePrincípios sobre o que deve ser
CientíficoProblema → hipótese → teste → conclusão provisória, com método explícitoEvidência verificável por outros; aberto à refutação«Em N dias chuvosos, o tempo de pátio subiu X%, IC 95% […]»
Regra

Um enunciado é científico quando você consegue dizer o que o refutaria. Se nenhuma observação possível o derrubaria, ele pode ser verdadeiro, útil ou bonito — mas não é uma hipótese de pesquisa.

Armadilha

Confundir consenso com evidência. «Todos os autores dizem» descreve o estado da literatura, não a verdade do fenômeno. Uma revisão que só recolhe concordâncias não testou nada.

Fundamentos2 de 4

O método científico como ciclo

Método é o caminho que pode ser refeito por outra pessoa. O ciclo abaixo vale para qualquer desenho — o que muda entre uma pesquisa e outra é o rigor exigido em cada etapa.

1ProblemaUma pergunta que a literatura não responde.
2Hipótese / proposiçãoResposta provisória, falseável.
3DesenhoMétodo, amostra, instrumentos, análise — antes de coletar.
4ColetaDados produzidos pelo procedimento previsto.
5AnáliseTécnica compatível com o tipo de dado.
6ConclusãoResponde à pergunta — e diz o que não responde.
7ComunicaçãoRelato completo o bastante para ser refeito e criticado.
Figura 1 O ciclo se fecha na comunicação: um resultado que não pode ser refeito por outro pesquisador ainda não entrou na ciência. A etapa 3 é a que separa pesquisa de improviso — o desenho vem antes do primeiro dado.
RaciocínioParte deChega aRisco
IndutivoObservações particularesGeneralizaçãoCasos não observados podem contradizer
DedutivoPremissas geraisConclusão particularPremissa falsa → conclusão falsa com lógica perfeita
Hipotético-dedutivoProblema e conjecturaConsequências testáveis; tentativa de refutaçãoConfirmar não prova; só a refutação é decisiva (Popper)
Regra

Escreva o desenho (etapa 3) num documento datado antes da coleta. Mudanças depois disso continuam possíveis, mas passam a ser registradas como mudanças — é o que permite à banca distinguir método de acomodação aos dados.

Fundamentos3 de 4

Paradigmas e abordagens: quantitativa, qualitativa, mista

A abordagem não é preferência pessoal: decorre do que se acredita que o fenômeno é e de como se acredita que ele pode ser conhecido. Creswell organiza isso em visões de mundo; cada uma puxa um tipo de pergunta, de dado e de análise.

Visão de mundoO fenômeno é…Conhece-se por…Abordagem típicaPergunta típica
Pós-positivistaUma realidade mensurável, com causasMedição, controle, teste de hipótesesquantitativa«Quanto X afeta Y, controlado Z?»
Construtivista / interpretativaSignificados construídos por pessoas em contextoInterpretação de falas, práticas, documentosqualitativa«Como os operadores entendem X?»
Transformadora / críticaRelações de poder que a pesquisa deve exporParticipação, ação, reflexãoqualitativa · pesquisa-ação«Como mudar X com os envolvidos?»
PragmáticaO que funciona para o problemaO que for necessário — combinamista«O que explica X e como se manifesta?»
QuantitativaQualitativa
DadoNúmeros; variáveis definidas antesTexto, imagem, fala; categorias emergem
AmostraGrande, probabilística quando possívelPequena, intencional, até a saturação
AnáliseEstatística descritiva e inferencialCodificação, análise de conteúdo/temática
GeneralizaPara a população (validade externa)Para a teoria (transferibilidade)
PesquisadorDistante, instrumento padronizadoInstrumento principal; reflexividade declarada
Armadilha

«Quali-quanti» sem desenho. Somar um questionário a três entrevistas não é método misto. Misto é quando o desenho diz como e em que ordem os dois tipos de dado se integram — convergente, sequencial explanatório ou exploratório — e o que acontece se discordarem.

Fundamentos4 de 4 · verificado em 08/09/2026

Ética e integridade: o que vem antes do primeiro dado

Pesquisa com seres humanos exige apreciação ética antes da coleta; integridade científica vale para toda pesquisa, com ou sem participantes. As duas não são etapas burocráticas — são condições de validade.

InstrumentoExige
Lei nº 14.874/2024 e Resoluções CNS 466/2012 e 510/2016Apreciação por Comitê de Ética (CEP/CONEP) de pesquisa com seres humanos, inclusive em ciências humanas e sociais; consentimento livre e esclarecido (TCLE)
Plataforma BrasilSubmissão do projeto ao CEP com folha de rosto, TCLE, cronograma e instrumentos; gera o CAAE
LGPD (Lei 13.709/2018) e guia da ANPDBase legal, minimização e segurança para dados pessoais de participantes
Portaria CNPq nº 2.664/2026Política de integridade: veda fabricação, falsificação e plágio; exige declarar uso de IA generativa
Diretrizes FCHSSALLA/CGEE (2024)Integridade como compromisso coletivo: transparência, responsabilidade, rigor, honestidade
Regra

Se há pessoa identificável — entrevista, questionário, observação, prontuário, dado de RH — há CEP. A pergunta «precisa de comitê?» se responde pelo dado, não pela área. Dado secundário público e anonimizado dispensa; dado que você mesmo produz com gente, não.

Página inicial da Plataforma Brasil
Figura 2 Captura real, 08/09/2026: Plataforma Brasil, porta de entrada do sistema CEP/CONEP. O cadastro do pesquisador exige currículo Lattes; a submissão, projeto completo, TCLE e instrumentos. Conte 30 a 90 dias no cronograma.
Armadilha

Coletar antes do parecer. Dado coletado sem apreciação ética não pode ser regularizado depois: o parecer não retroage. A consequência prática é perder a coleta — e a defesa.

Parte 2Do tema ao problema

Transformar um assunto em uma pergunta

Tema, problema, objetivos, hipóteses, justificativa — e a revisão de literatura que dá lastro a tudo isso.

02
Do tema ao problema1 de 5

Tema, problema e pergunta de pesquisa

Um tema é um assunto. Um problema é uma dificuldade teórica ou prática para a qual se busca resposta. Uma pergunta de pesquisa é o problema formulado de modo a admitir uma resposta verificável — Gil pede que seja clara, delimitada, empírica e viável.

NívelExemploDiagnóstico
Tema«Automação portuária»Assunto; não termina
Tema delimitado«Segurança operacional em terminais de contêineres automatizados»Recorte; ainda não é pergunta
Problema«Não se sabe se a automação de pátio reduz incidentes com pessoas»Lacuna nomeada
Pergunta«A automação de pátio reduziu a taxa de incidentes com pessoas em terminais brasileiros entre 2018 e 2025, comparada a terminais convencionais de porte semelhante?»Admite sim/não; diz o dado e o comparador

Critérios de uma boa pergunta

  • Clara: cada termo tem uma definição operacional (o que conta como «incidente»).
  • Delimitada: lugar, período, população, unidade de análise.
  • Empírica: responde-se com dado, não com opinião ou valor («deveria»).
  • Viável: o dado existe ou pode ser produzido no prazo, com o acesso que você tem.
  • Relevante: a resposta muda algo — na teoria, na prática, na política.
Regra

Só considere a pergunta pronta quando conseguir escrever a tabela vazia do resultado — as colunas que a resposta vai preencher. Se não sabe as colunas, ainda não sabe a pergunta.

Do tema ao problema2 de 5

Objetivos, hipóteses e variáveis

O objetivo geral é a pergunta reescrita como ação; os específicos são os passos que, somados, a respondem. A hipótese é a resposta provisória — e só existe onde há relação entre variáveis a testar.

ObjetivoVerboExemplo
Geralanalisar, avaliar, comparar, verificar, proporAvaliar o efeito da automação de pátio na taxa de incidentes…
Específico 1identificar, levantar, mapear, caracterizarCaracterizar os terminais e seus níveis de automação
Específico 2medir, quantificar, descreverMedir a taxa de incidentes por milhão de movimentos
Específico 3comparar, relacionar, testarComparar as taxas entre grupos, controlando porte
Armadilha

Objetivo específico que é etapa de trabalho. «Revisar a literatura» e «coletar dados» são meios, não objetivos: todo trabalho os faz. Objetivo específico é um resultado parcial que aparece nos Resultados.

ElementoDefiniçãoNo exemplo
HipóteseEnunciado testável que relaciona variáveisH1: terminais automatizados têm taxa menor de incidentes com pessoas
Variável independenteA causa presumida, manipulada ou observadaNível de automação do pátio
Variável dependenteO efeito medidoIncidentes por milhão de movimentos
Variáveis de controleO que pode confundir e é mantido constante ou ajustadoPorte, tipo de carga, ano
Definição operacionalComo cada variável é medida«Incidente»: registro em relatório de segurança com afastamento ≥ 1 dia
Regra

Pesquisa qualitativa e exploratória em geral não tem hipótese, e sim pressupostos ou questões norteadoras. Não invente uma hipótese para «parecer científico» — a banca pergunta como você a testou.

Do tema ao problema3 de 5

Justificativa, delimitação e viabilidade

A justificativa responde «por que vale a pena?» em três registros — científico, prático e social. A delimitação diz o que fica fora, e por quê. A viabilidade é o teste honesto de tempo, dado e acesso.

Justificativa em três frases verificáveis

  1. Lacuna: o que a literatura não responde — apontando as revisões que mostram isso.
  2. Relevância prática: quem usa a resposta e para decidir o quê.
  3. Contribuição: o que o trabalho entrega que não existia (dado, método, evidência, artefato).

Delimitação

  • Espaço, tempo, população, unidade de análise, nível (organização, processo, indivíduo).
  • O que fica fora — dito explicitamente — e a razão (escopo, acesso, prazo).
Teste de viabilidadePerguntaSe a resposta for «não»
DadoO dado existe ou pode ser produzido?Trocar a fonte ou a pergunta
AcessoVocê tem, por escrito, o acesso ao campo/base?Negociar antes de qualificar
TempoColeta + análise + escrita cabem no prazo com folga de 30%?Reduzir escopo, não qualidade
ÉticaHá tempo para o CEP no cronograma?Submeter na qualificação
CompetênciaVocê domina — ou pode aprender — a técnica de análise?Disciplina, curso ou coautor
CustoHá orçamento para deslocamento, software, transcrição?Fonte de fomento ou desenho mais barato
Armadilha

Justificar pela importância do tema. «A automação é importante» não justifica nada — justifica-se a pergunta, mostrando que ninguém a respondeu e que a resposta muda uma decisão.

Do tema ao problema4 de 5 · capturas reais, 08/09/2026

Revisão de literatura: onde buscar e como registrar

A revisão tem dois produtos: o estado da arte (o que já se sabe e onde está a lacuna) e o referencial teórico (os conceitos com que você vai ler os dados). Os dois exigem busca registrada, não navegação.

Portal de Periódicos CAPES
Figura 3 Portal de Periódicos CAPES: acesso por CAFe às bases assinadas (Web of Science, Scopus, IEEE, Elsevier).
Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações
Figura 4 BDTD/IBICT: teses e dissertações brasileiras — o lugar para ver o que já foi defendido sobre o seu tema.
Portal SciELO Brasil
Figura 5 SciELO: periódicos brasileiros e latino-americanos em acesso aberto.
FonteTipoServe para
Web of Science · Scopus · IEEE XploreBases curadas, assinadasBusca sistemática com histórico exportável
SciELO · BDTD · Portal CAPESAcesso aberto / institucionalProdução brasileira; teses; texto completo
OpenAlex · Crossref · Semantic ScholarÍndices abertos com APIEnriquecimento, citações, verificação de DOI
Google ScholarMáxima cobertura, sem curadoriaLocalizar texto; não é base de revisão
Regra

Toda busca que entra no texto tem base, string, data, filtros e total registrados no momento. É o que separa «revisão de literatura» de «li o que encontrei». Para revisão sistemática, o relato segue o PRISMA 2020.

Do tema ao problema5 de 5

Fichamento e matriz de síntese

Ler sem fichar é ler duas vezes. O fichamento converte leitura em dado reutilizável; a matriz de síntese converte dezenas de fichas em um argumento sobre o campo.

Tipo de fichaConteúdoQuando usar
BibliográficaReferência completa + resumo do argumentoToda obra lida
De citaçãoTrecho literal entre aspas, com páginaO que você pode vir a citar diretamente
De resumo / conteúdoParáfrase do essencial, por seçãoObras centrais do referencial
Analítica / críticaSua avaliação: método, limites, relação com a sua perguntaEstudos que vão para a matriz
Armadilha

Ficha sem página. Um trecho copiado sem a página é inutilizável para citação direta e suspeito para a banca. A NBR 10520 exige página na citação direta; a ficha é onde ela é capturada.

matriz de síntese — uma linha por estudo (CSV ou planilha)
id, autor_ano, pergunta_do_estudo, contexto, desenho, amostra, instrumento,
achado_principal, limite_declarado, relação_com_minha_pergunta, página_da_evidência

# colunas fixas definidas ANTES de ler; valores fechados onde possível (desenho, contexto)
# a coluna final é o que vira parágrafo no estado da arte

A matriz responde às perguntas que a banca faz: quantos estudos, de que tipo, com que amostra, dizendo o quê — e onde exatamente está a lacuna que o seu trabalho ocupa. Uma revisão narrativa escrita a partir dela é verificável; uma escrita de memória, não.

Regra

O referencial teórico é instrumento, não enfeite: cada conceito nele será usado para ler um dado. Conceito que não aparece na análise não pertence ao referencial.

Parte 3Classificação e escolha do método

Nomear o que se vai fazer

As quatro dimensões da classificação, os procedimentos técnicos e a regra que liga pergunta a método.

03
Classificação e método1 de 4

Classificação da pesquisa em quatro dimensões

Toda pesquisa se classifica ao mesmo tempo em quatro eixos independentes — natureza, abordagem, objetivos e procedimentos. A metodologia da dissertação começa nomeando os quatro; a banca confere se são coerentes entre si e com a pergunta.

EixoOpçõesPergunta que decide
Naturezabásica gera conhecimento sem aplicação imediata · aplicada resolve problema concretoQuem usa o resultado, e quando?
Abordagemquantitativa · qualitativa · mistaO dado é número ou significado? Os dois, integrados como?
Objetivos (Gil)exploratória — familiarizar-se com um problema pouco conhecido · descritiva — caracterizar população, fenômeno ou relação · explicativa — identificar causasVocê quer conhecer, descrever ou explicar?
Procedimentosbibliográfica · documental · experimental · ex-post-facto · levantamento (survey) · estudo de caso · pesquisa-ação · participante · design science · revisão sistemáticaComo o dado vai ser produzido? (próximo slide)
exemplo de parágrafo de classificação — o que a banca espera ler
Trata-se de pesquisa de natureza aplicada, abordagem quantitativa e objetivo explicativo,
conduzida por meio de estudo ex-post-facto com dados secundários de N terminais (2018–2025),
analisados por regressão de Poisson com controle de porte e tipo de carga.
Armadilha

Classificar por adjetivos, não por decisões. «Pesquisa exploratória, descritiva e explicativa, quali-quanti, bibliográfica e de campo» — tudo ao mesmo tempo — não classifica: revela que o desenho não foi decidido. Cada eixo tem uma resposta principal; as demais, quando existem, têm papel declarado.

Classificação e método2 de 4

Procedimentos: como o dado é produzido

ProcedimentoO que éQuando serveRisco principalReferência
BibliográficaFontes já publicadas (livros, artigos)Toda pesquisa; sozinha, em ensaios teóricos e revisõesConfundir com «leitura»; sem registro de buscaGil; Marconi & Lakatos
DocumentalFontes primárias não tratadas (relatórios, atas, registros, leis)Reconstruir processos; dados que ninguém tabulouAutenticidade e viés de quem produziu o documentoGil
ExperimentalManipular a variável independente com controle e aleatorizaçãoTestar causa; laboratório, simulação, bancadaValidade externa: o laboratório não é o campoEstrela; Campbell & Stanley
Ex-post-factoCausa já ocorreu; compara-se grupos sem manipularQuando não se pode manipular (política, acidente, adoção de tecnologia)Confundidores; causalidade só com controle estatísticoGil
Levantamento (survey)Interrogar diretamente uma amostraDescrever opiniões, práticas, prevalênciasAmostra não representativa; não-respostaMarconi & Lakatos; Babbie
Estudo de casoUm ou poucos casos em profundidade, várias fontes«Como» e «por quê» em contexto real; fenômeno contemporâneoGeneralização — é analítica (para a teoria), não estatísticaYin
Pesquisa-ação / participantePesquisador e participantes transformam a situação enquanto a estudamProblemas organizacionais e sociais com os envolvidosConfundir intervenção com evidência; papel do pesquisadorThiollent
Design science (DSR)Construir e avaliar um artefato que resolve um problemaEngenharia, sistemas, processosArtefato sem avaliação rigorosa é produto, não pesquisaHevner; Peffers
Revisão sistemáticaProtocolo, busca reproduzível, triagem por critérios, síntese«O que já se sabe, e o que falta»Busca sem registro; triagem sem codebookPRISMA 2020; Kitchenham
Classificação e método3 de 4

Escolher o método a partir da pergunta

O método não é escolhido por afinidade nem pelo que o orientador usou na tese dele. É determinado pela forma da pergunta e pelo dado que se consegue obter. A tabela é o teste: se a sua pergunta cabe numa linha, o método está na coluna ao lado.

Se a pergunta é…O desenho éDado típicoAnálise típicaPrazo típico
«O que já se sabe sobre X, e o que falta?»Revisão sistemática / de escopoEstudos publicadosSíntese narrativa ou meta-análise3–8 meses
«Qual a prevalência / opinião / prática de Y na população Z?»LevantamentoQuestionário em amostraEstatística descritiva; inferência para a população3–6 meses
«A intervenção A supera B nesta métrica?»Experimento / quase-experimentoMedições em gruposTestes de hipótese; tamanho de efeitovariável
«X, que já aconteceu, está associado a Y?»Ex-post-factoRegistros, séries históricasRegressão com controles2–5 meses
«Como e por que isso funciona neste terminal / empresa?»Estudo de casoEntrevistas, documentos, observaçãoAnálise de conteúdo; triangulação3–8 meses
«Como as pessoas vivem / entendem X?»Qualitativa (fenomenológica, etnográfica)Entrevistas em profundidade, campoAnálise temática; codificação4–10 meses
«Como construir um artefato que resolva X, e ele funciona?»Design scienceArtefato + avaliaçãoDemonstração, experimento, estudo de caso6–18 meses
«Como mudar X junto com os envolvidos?»Pesquisa-açãoCiclos de diagnóstico–ação–avaliaçãoAnálise qualitativa; indicadores de mudança6–12 meses
Regra

Depois de escolher, escreva a frase «escolhi [desenho] porque a pergunta pede [forma] e o dado disponível é [tipo]; descartei [alternativa] porque [razão]». Essa frase é a resposta à pergunta mais frequente de qualquer banca.

Classificação e método4 de 4

Validade e confiabilidade: os critérios de qualidade

Confiabilidade é obter o mesmo resultado repetindo o procedimento; validade é medir o que se pretende medir. Uma balança descalibrada é confiável e inválida. A banca avalia os dois — e a tradição qualitativa tem os seus equivalentes.

Critério (quantitativo)PerguntaComo assegurar
Validade internaA causa é mesmo X, e não outra coisa?Controle, aleatorização, variáveis de controle
Validade externaVale para além da amostra?Amostragem probabilística; replicação em contextos
Validade de constructoO instrumento mede o conceito?Validação por juízes; análise fatorial; instrumentos validados
ConfiabilidadeRepetindo, dá o mesmo?Alfa de Cronbach; teste-reteste; concordância entre avaliadores (κ)
Critério (qualitativo, Lincoln & Guba)Equivale aComo assegurar
CredibilidadeValidade internaTriangulação de fontes e métodos; checagem pelos participantes; imersão prolongada
TransferibilidadeValidade externaDescrição densa do contexto para que o leitor julgue
DependabilidadeConfiabilidadeTrilha de auditoria: decisões de codificação registradas e datadas
ConfirmabilidadeObjetividadeReflexividade declarada; dados que sustentam cada interpretação
Armadilha

Triangulação de fachada. Citar «triangulação» sem dizer o que foi triangulado com o quê, e o que aconteceu quando as fontes discordaram. Triangular é procurar a discordância — não coletar três coisas que confirmam a mesma.

Parte 4Coleta de dados

Produzir o dado que a pergunta pede

Amostragem, técnicas, instrumentos, experimento e dados secundários.

04
Coleta1 de 5

Amostragem: de quem — e quantos

Amostra é a parte da população que você observa; o tipo de amostragem determina o que a conclusão pode afirmar. Só a amostragem probabilística autoriza inferir para a população com margem de erro conhecida.

TipoComoPermite
PROBABILÍSTICA — cada unidade tem probabilidade conhecida de ser sorteada
Aleatória simplesSorteio a partir de uma lista completaInferência com margem de erro
SistemáticaCada k-ésimo elemento a partir de início aleatórioIdem; cuidado com periodicidade
EstratificadaSorteio dentro de estratos (porte, região)Precisão por subgrupo
ConglomeradosSorteia grupos (terminais), observa todos dentroCusto menor; erro maior
NÃO PROBABILÍSTICA — não há sorteio; não se generaliza estatisticamente
ConveniênciaQuem está acessívelExploração; piloto
Intencional / por julgamentoCasos escolhidos por serem informativosQualitativa; estudo de caso
Bola de neveParticipantes indicam outrosPopulações ocultas ou raras
CotasPreenche proporções sem sorteioDescrição aproximada; sem margem de erro
tamanho de amostra para proporção — população grande
n = z² · p · (1 − p) / e²

# z = 1,96 (95%) · p = 0,5 (pior caso) · e = 0,05  →  n ≈ 385
# população finita N:  n_ajustado = n / (1 + (n − 1) / N)
# N = 1.000  →  n ≈ 278     N = 200  →  n ≈ 132
  • Para comparar grupos ou estimar efeitos, o cálculo é de poder estatístico (G*Power, R pwr): efeito esperado, α = 0,05, poder ≥ 0,80.
  • Na pesquisa qualitativa o critério é a saturação: parar quando novas entrevistas não trazem categoria nova — e registrar em qual entrevista isso ocorreu.
  • Taxa de resposta importa tanto quanto n: 385 enviados com 60 respondidos é uma amostra de 60, autosselecionada.
Regra

Declare população, unidade de análise, tipo de amostragem, tamanho calculado e tamanho obtido — e o que a diferença entre os dois limita.

Coleta2 de 5

Técnicas de coleta: qual dado cada uma produz

TécnicaVariantesProduzForçaLimite
ObservaçãoSistemática / assistemática; participante / não participante; individual / em equipeRegistro de comportamentos e eventos em contextoVê o que as pessoas fazem, não o que dizemPresença altera o observado; exige protocolo de registro
QuestionárioPerguntas fechadas (dicotômicas, múltipla escolha, escala Likert) e abertas; autoaplicadoDado padronizado em amostra amplaEscala, custo, comparabilidadeNão-resposta; interpretação das perguntas; sem aprofundar
EntrevistaEstruturada / semiestruturada / não estruturada; individualDiscurso em profundidadeAprofunda, esclarece, descobreTempo; viés do entrevistador; transcrição
FormulárioAplicado pelo pesquisador, face a faceDado padronizado com assistênciaMenor não-resposta; população com baixa escolaridadeCusto; influência do aplicador
Grupo focal6–10 participantes, moderador, roteiroInteração e consenso/dissensoFaz emergir o que a entrevista individual não fazDominância de participantes; confidencialidade
Medição / instrumentaçãoSensores, logs, ensaios, testesDado físico ou de sistemaObjetividade, volumeCalibração; validade do que o sensor representa
Análise documentalRelatórios, normas, registros, mídiasDado não reativoNão altera o fenômeno; série históricaViés de quem produziu; lacunas no acervo
Regra

Para cada objetivo específico, uma linha: objetivo → dado necessário → técnica → instrumento → fonte. Se um objetivo fica sem linha, ele não será respondido; se uma técnica fica sem objetivo, ela é trabalho sem uso.

Armadilha

Perguntar o que se quer concluir. «Você considera que a automação melhorou a segurança?» produz opinião, não evidência de segurança. Se a pergunta é sobre incidentes, o dado é o registro de incidentes; a opinião é outro objetivo.

Coleta3 de 5

Construir e validar o instrumento

Um questionário ou roteiro é um instrumento de medida. Como qualquer instrumento, precisa ser construído a partir do que se quer medir, testado antes do uso e descrito no relato. Paiva e Marconi & Lakatos detalham o passo a passo.

  1. Da variável ao item: cada conceito do referencial vira uma ou mais perguntas com definição operacional; monte a tabela conceito → dimensão → item.
  2. Prefira instrumentos já validados quando existirem (escalas publicadas); adaptar exige tradução reversa e nova validação.
  3. Redação: uma ideia por pergunta; sem termos técnicos não definidos; sem indução («você concorda que…»); ordem do geral ao específico; sensíveis por último.
  4. Escalas: Likert de 5 ou 7 pontos com rótulos em todos os pontos; decida antes se haverá ponto neutro.
  5. Validação de conteúdo por juízes: 3 a 5 especialistas avaliam clareza e pertinência; registre o índice de concordância.
  6. Pré-teste com 10–30 pessoas da população-alvo: tempo, dúvidas, itens sem variância; ajuste e registre o que mudou.
  7. Confiabilidade: alfa de Cronbach por dimensão (≥ 0,70 é o piso usual); para roteiros qualitativos, teste do roteiro em duas entrevistas-piloto.
  8. Documente: o instrumento final vai no apêndice; as mudanças do pré-teste, na metodologia.
tabela de operacionalização — cabe na metodologia
conceito            dimensão               item (nº)   escala        fonte do item
Segurança percebida  risco ao pedestre      Q7–Q9       Likert 1–5    adaptado de [autor, ano]
Segurança percebida  confiança no sistema   Q10–Q12     Likert 1–5    elaboração própria (juízes: 4)
Adoção               tempo desde a automação Q2         anos          documental
Armadilha

Pular o pré-teste. É o passo que a pressa corta e o que a banca mais pergunta. Um item ambíguo descoberto depois da coleta não tem conserto: os dados daquele item são descartados.

Coleta4 de 5

Experimento: controle, aleatorização, delineamento

Experimento é o único desenho que autoriza afirmar causa, porque é o único em que o pesquisador manipula a variável independente e controla o resto. Tudo que não é isso é quase-experimento ou observação — e a conclusão precisa dizer qual.

DelineamentoEsquemaControlaNão controla
Pré-experimental (um grupo, pré e pós)O₁ X O₂Nada além do tempoHistória, maturação, regressão à média
Quase-experimental (grupo de controle não equivalente)O₁ X O₂ / O₁ — O₂Parte dos confundidoresDiferenças prévias entre grupos
Experimental (aleatorizado com controle)R O₁ X O₂ / R O₁ — O₂Confundidores conhecidos e desconhecidosValidade externa; efeito da própria observação
Fatorial2×2, 2×3…Interação entre fatoresCresce rápido em número de condições
Séries temporais interrompidasO O O X O O OTendência préviaEventos concorrentes
  • Grupo de controle: sem ele, qualquer mudança pode ser do tempo, não da intervenção.
  • Aleatorização (R): distribui os confundidores desconhecidos; sem ela, é quase-experimento.
  • Cegamento: quem mede não sabe o grupo; em simulação, quem roda não escolhe os casos.
  • Réplicas e semente: em simulação computacional, número de réplicas, semente aleatória e versão do software fazem parte do método.
  • Um p < 0,05 sem tamanho de efeito não diz se a diferença importa; reporte o efeito com intervalo de confiança.
Regra

Pré-registre o experimento (hipótese, variáveis, n calculado, análise) antes de rodar. Uma análise decidida depois de ver o dado é exploratória — e deve ser chamada assim.

Coleta5 de 5 · figura gerada nesta máquina em 08/09/2026 a partir da API aberta

Dados secundários e dados abertos

Muita pergunta se responde com dado que já existe — desde que se saiba quem produziu, como, para quê e com que lacunas. A vantagem é o volume; o risco é herdar uma definição que não é a sua.

FonteO que ofereceCuidado
IBGE · dados.gov.br · IPEA DataSéries oficiais, microdados, indicadoresMudanças metodológicas entre anos; leia a nota técnica
ANTAQ · Estatístico AquaviárioMovimentação portuária por instalação, carga e anoDefinição de «movimento» e de instalação; revisões retroativas
OpenAlex · Crossref · Lattes/LattesDataMetadados científicos com API; produção brasileiraCobertura e desambiguação de instituição
Registros da organizaçãoLogs, relatórios de segurança, sistemasTermo de acesso; anonimização; LGPD
Regra

Para todo dado secundário registre: fonte, versão ou data de extração, filtro aplicado, definição das variáveis conforme a fonte, e guarde o arquivo bruto. Uma figura nasce de um script que lê esse arquivo — nunca de um número digitado.

2026-09-08T14:33:45.134791 image/svg+xml Matplotlib v3.8.3, https://matplotlib.org/
Figura 6 Artigos com ao menos um autor de instituição brasileira, por ano, na OpenAlex (2015–2025, tipo article). Consulta real à API, gráfico gerado por script de 12 linhas (no repositório). Exemplo do método — e do cuidado: a queda de 2022 reflete cobertura e desambiguação do índice tanto quanto a produção.
Parte 5Análise de dados

Do dado ao achado

Estatística descritiva e inferencial, análise qualitativa, métodos mistos e reprodutibilidade.

05
Análise1 de 4

Análise quantitativa: qual teste para qual pergunta

A escolha do teste depende de três coisas decididas antes da coleta: o tipo de cada variável, o número de grupos e se as amostras são independentes. Descreva antes de inferir; reporte efeito, não só p.

PerguntaVariáveisTeste paramétricoNão paramétrico
Dois grupos diferem na média?1 categórica (2 níveis) × 1 numéricat de Student (indep. / pareado)Mann-Whitney / Wilcoxon
Três ou mais grupos diferem?1 categórica (≥3) × 1 numéricaANOVA (+ post hoc)Kruskal-Wallis
Duas categorias estão associadas?2 categóricasQui-quadrado; exato de Fisher
Duas numéricas variam juntas?2 numéricasCorrelação de PearsonSpearman
X prevê Y, controlando Z?≥1 preditor × 1 numéricaRegressão linear múltipla
X prevê um sim/não?≥1 preditor × 1 bináriaRegressão logística
X prevê uma contagem (incidentes)?≥1 preditor × contagemRegressão de Poisson / binomial negativa
Uma medida mudou ao longo do tempo?Série temporalARIMA; séries interrompidas

Ordem de trabalho

  1. Limpeza: valores ausentes, duplicatas, fora de faixa — e o registro do que foi feito com cada caso.
  2. Descritiva: n, média/mediana, desvio/IQR, mínimo–máximo, por grupo; gráfico antes de qualquer teste.
  3. Pressupostos: normalidade, homogeneidade de variância, independência — se falham, teste não paramétrico ou transformação.
  4. Inferência: teste escolhido antes; α = 0,05 declarado; correção para múltiplas comparações.
  5. Efeito e IC: d de Cohen, r, razão de chances, com intervalo de 95%.
Armadilha

Procurar o p. Testar dez relações e reportar a que deu p < 0,05 é a definição de p-hacking. Pré-registre as hipóteses; o que não estava previsto é exploratório e é rotulado assim.

Análise2 de 4

Análise qualitativa: da transcrição à categoria

Analisar dado qualitativo é reduzir texto a categorias sem perder o sentido — e deixar registrado como cada categoria nasceu. Bardin organiza a análise de conteúdo em três fases; a análise temática segue lógica semelhante.

Fase (Bardin)O que se fazProduto
1. Pré-análiseLeitura flutuante; escolha do corpus (exaustividade, representatividade, homogeneidade, pertinência); hipóteses e índicesCorpus definido; plano de codificação
2. Exploração do materialRecorte em unidades de registro (palavra, tema, frase); codificação; agregação em categorias (a priori ou emergentes)Livro de códigos; matriz unidade × categoria
3. Tratamento e interpretaçãoFrequências, coocorrências, inferências; volta ao referencialCategorias interpretadas com trechos-evidência
livro de códigos — uma linha por código, decidido antes de codificar o segundo material
código          definição                                   inclui                          exclui                  exemplo (fonte, linha)
CONFIANÇA       fala que atribui ao sistema previsibilidade "sei o que ele vai fazer"        elogio genérico          E03, l. 41–44
RISCO_PEDESTRE  menção a pessoa em área de máquina           "ninguém entra ali"             risco a carga            E07, l. 12
  • Transcrição: literal, com convenção declarada (pausas, ênfases); conferida contra o áudio; anonimizada (E01, E02…).
  • Codificação: dedutiva (do referencial), indutiva (do dado) ou mista — diga qual.
  • Segundo codificador em amostra: concordância (κ) reportada; divergências resolvidas e registradas.
  • Saturação: em que entrevista as categorias pararam de surgir.
  • CAQDAS (Atlas.ti, NVivo, MAXQDA) organiza — não analisa. A trilha de auditoria é o que o software exporta.
Regra

Toda categoria apresentada nos Resultados vem com ao menos um trecho literal identificado (entrevistado, linha) e com a contagem de fontes em que apareceu. Interpretação sem trecho é opinião.

Análise3 de 4

Métodos mistos: integrar, não justapor

Misto é o desenho em que dados quantitativos e qualitativos são coletados, analisados e integrados para responder à mesma pergunta. Creswell distingue três desenhos básicos pela ordem e pela prioridade.

DesenhoOrdemIntegraçãoQuando
Convergente paraleloQUAN + QUAL ao mesmo tempoCompara e funde os resultadosQuer confirmação e complemento sobre o mesmo fenômeno
Sequencial explanatórioQUAN → qualO qualitativo explica resultados quantitativos surpreendentesSurvey ou registros apontam padrão sem razão clara
Sequencial exploratórioQUAL → quanO qualitativo gera itens/hipóteses que o quantitativo testaConstruir instrumento ou taxonomia num campo pouco conhecido
a frase que a banca procura na metodologia
Adotou-se desenho misto sequencial explanatório: na fase 1, [survey/registros] com N; na fase 2,
[entrevistas] com participantes selecionados a partir dos resultados da fase 1 (critério: …).
A integração ocorreu na interpretação, por meio de [matriz de convergência / joint display],
em que cada resultado quantitativo foi confrontado com as categorias qualitativas correspondentes.
Armadilha

Dois estudos em um. Um capítulo quantitativo e um qualitativo que nunca se encontram não são método misto — são dois trabalhos. A integração precisa aparecer num produto concreto: uma tabela conjunta, uma seção que confronta, uma decisão que só existe porque os dois se cruzaram.

Análise4 de 4 · captura real, 08/09/2026

Reprodutibilidade: o que outro pesquisador precisa receber

Um resultado é reprodutível quando outra pessoa, com os seus dados e o seu procedimento, chega ao mesmo número. Isso não acontece por acaso: exige dados, código, ambiente e decisões guardados como parte do método.

ArtefatoMínimoOnde
DadosBrutos e tratados, com dicionário de variáveis; anonimizados se pessoaisRepositório de dados (OSF, Zenodo, LattesData) ou apêndice
Código / scriptsDo dado bruto à figura, executável de ponta a pontaGit (GitHub/GitLab) com versão citada
AmbienteVersões de software e pacotes; semente aleatóriarequirements.txt, renv.lock, seção de métodos
DecisõesExclusões, transformações, mudanças no plano — datadasArquivo de decisões no repositório
Pré-registroHipóteses, n, análise, antes da coletaOSF Registries; PROSPERO para revisões
Regra

Toda tabela e figura dos Resultados tem um script que a gera a partir do dado. Quando o dado muda — e muda — a figura muda junto, e a banca que pedir o número recebe o script.

OSF Registries
Figura 7 OSF Registries: pré-registro público e datado do plano de pesquisa. Um pré-registro é a prova de que a hipótese veio antes do dado — e a defesa mais simples contra a acusação de análise oportunista.
Parte 6Projeto de pesquisa

Colocar tudo num documento que pode ser avaliado

Estrutura conforme a NBR 15287, cronograma, orçamento e o caminho do comitê de ética.

06
Projeto1 de 3

Estrutura do projeto de pesquisa (NBR 15287:2025)

O projeto é o contrato entre você, o orientador e o programa: diz o que será feito, como, em quanto tempo e por quê. A ABNT NBR 15287:2025 (3ª edição, 18/03/2025, substitui a de 2011) fixa os elementos; o programa fixa o tamanho.

Pré-textuais
  1. Capa — opcional na versão 2025 (use se o programa exigir)
  2. Folha de rosto — obrigatória: autor, título, tipo de projeto, instituição, orientador, local, ano
  3. Dados curriculares do autor — opcional, em página separada
  4. Listas de ilustrações, tabelas, abreviaturas e símbolos — opcionais
  5. Sumário — obrigatório (NBR 6027)
Textuais — encadeados, na ordem da norma
  1. Introdução: tema e contexto
  2. Problema de pesquisa
  3. Justificativa: lacuna, relevância, contribuição
  4. Objetivos: geral e específicos
  5. Hipóteses (quando aplicável)
  6. Fundamentação teórica e estado da arte
  7. Metodologia: classificação, população e amostra, técnicas, instrumentos, análise, ética
  8. Recursos e cronograma
Pós-textuais
  1. Referências (NBR 6023:2025) — obrigatório
  2. Apêndices (instrumentos, TCLE, roteiros — de sua autoria)
  3. Anexos (documentos de terceiros)
  4. Glossário e índice — opcionais
Regra

Coerência interna é o critério de avaliação: cada objetivo específico tem uma técnica na metodologia, uma linha no cronograma e um resultado esperado. Um avaliador experiente lê os objetivos e a metodologia lado a lado; se não batem, o resto não importa.

Armadilha

Referencial teórico como resumo de livros. Dez páginas explicando o que é automação não fundamentam nada. O referencial apresenta os conceitos que serão usados na análise, com a definição adotada e a razão de tê-la escolhido entre as alternativas.

Projeto2 de 3

Cronograma e orçamento

O cronograma é a metodologia projetada no tempo; o orçamento, a metodologia projetada em dinheiro. Os dois são onde a viabilidade deixa de ser promessa.

1
2
3
4
5
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7
8
9
10
11
12
Revisão de literatura
Projeto e qualificação
Comitê de ética (CEP)
Instrumento e pré-teste
Coleta
Análise
Redação e revisão
Defesa e ajustes
Figura 8 Cronograma esquemático de 12 meses. Em laranja, o comitê de ética — a etapa que mais atrasa projetos porque quase nunca entra no plano; em verde, a coleta, que só começa depois do parecer. A folga de 30% não aparece no gráfico porque está dentro de cada barra.
Item de orçamentoExemplosFonte
Material e serviçosTranscrição, tradução, impressão, softwareBolsa, PROAP, edital interno
DeslocamentoVisitas ao campo, eventosAuxílio do programa, CAPES/PrInt
Equipamento e dadosSensores, licenças, acesso a basesLaboratório, convênio
PublicaçãoTaxa de processamento (APC), revisão de inglêsEdital de apoio à publicação
Regra

Cronograma por objetivo específico, não por capítulo: a banca quer ver quando cada resultado parcial fica pronto. Coleta só depois do parecer do CEP; redação em paralelo à análise, não depois.

Projeto3 de 3

Comitê de ética: o caminho na Plataforma Brasil

Se a pesquisa envolve seres humanos — direta ou indiretamente, por dado identificável — o projeto passa pelo CEP antes da coleta. O sistema é único, nacional, e gera o número CAAE que vai na dissertação.

  1. Cadastro do pesquisador na Plataforma Brasil, vinculado ao currículo Lattes e à instituição.
  2. Projeto detalhado: título, resumo, hipótese, metodologia, critérios de inclusão/exclusão, riscos e benefícios, cronograma, orçamento — nos campos do formulário.
  3. TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido): linguagem acessível, objetivos, procedimentos, riscos, direito de desistir, sigilo, contatos, duas vias. Para menores, TALE + consentimento do responsável.
  4. Documentos: folha de rosto assinada pela instituição, carta de anuência do local de coleta, instrumentos (questionário, roteiro), termo de compromisso de uso de dados (se secundários identificáveis).
  5. Submissão e tramitação: checagem documental → relatoria → parecer (aprovado / pendência / não aprovado). Pendência é normal; responda item a item.
  6. Parecer consubstanciado com CAAE: vai como anexo da dissertação; a coleta começa aqui.
  7. Emendas para qualquer mudança de instrumento ou população; relatório final ao concluir.
SituaçãoPassa pelo CEP?
Entrevista, questionário, grupo focal, observação de pessoassim
Dados de RH, prontuários, registros com identificaçãosim
Dados secundários públicos e anonimizados (IBGE, ANTAQ)não
Revisão de literatura; ensaio teórico; simulação sem dado pessoalnão
Pesquisa de opinião pública sem identificação (Res. 510/2016, art. 1º)isenta, mas consulte o CEP
Armadilha

«É só uma entrevista com colegas.» Colegas são seres humanos e a hierarquia no trabalho é fator de risco (coação). É justamente o caso que o CEP olha com mais atenção — e o TCLE precisa dizer que a participação não afeta o vínculo.

Parte 7Redação e comunicação

Escrever para ser verificado

Dissertação e artigo conforme a ABNT, citações, referências, escrita científica, plágio e defesa.

07
Redação1 de 7 · normas verificadas em 08/09/2026

Estrutura da dissertação e da tese (NBR 14724:2024)

A 4ª edição (16/12/2024) substitui a de 2011 com ajustes pontuais: ficha catalográfica «conforme código de catalogação vigente» (sem citar o AACR2); páginas pré-textuais contadas mas não numeradas, e o verso da folha de rosto nem contado; fonte obrigatória em tabelas; ilustrações de autoria própria indicadas como «Elaboração própria».

Pré-textuais
  1. Capa · lombada (opcional)
  2. Folha de rosto · ficha catalográfica no verso (em arquivo eletrônico, após a folha de rosto)
  3. Errata (se houver)
  4. Folha de aprovação
  5. Dedicatória · agradecimentos · epígrafe (opcionais)
  6. Resumo em português e em língua estrangeira (NBR 6028: 150–500 palavras, parágrafo único, palavras-chave)
  7. Listas de ilustrações, tabelas, siglas, símbolos
  8. Sumário (NBR 6027)
Textuais
  1. Introdução: contexto, problema, objetivos, justificativa, estrutura
  2. Desenvolvimento: referencial teórico · metodologia · resultados · discussão (a divisão em capítulos é do programa)
  3. Conclusão: responde aos objetivos; limites; trabalhos futuros

Formatação usual: A4, fonte 12, espaço 1,5, margens 3/2/3/2 cm, numeração progressiva (NBR 6024); pré-textuais contadas e não numeradas, numeração visível a partir da introdução; identificação e fonte de figuras dentro das margens da própria figura; anexos com referência em nota ou lista própria.

Pós-textuais
  1. Referências (NBR 6023:2025) — obrigatório
  2. Glossário
  3. Apêndices (de sua autoria: instrumentos, TCLE, scripts)
  4. Anexos (de terceiros: parecer do CEP, cartas de anuência)
  5. Índice
Regra

O programa tem um guia próprio ou um modelo (template) que prevalece sobre a ABNT em detalhes de formatação. Peça-o à secretaria antes de escrever a primeira página; migrar formatação depois custa dias.

Armadilha

Conclusão que resume. Conclusão não é resumo dos capítulos: é a resposta à pergunta, objetivo por objetivo, seguida do que os dados não permitem afirmar. Se a introdução prometeu três objetivos, a conclusão tem três respostas.

Redação2 de 7

O artigo científico: IMRaD e o resumo

O artigo segue a lógica IMRaD — Introdução, Métodos, Resultados e Discussão — porque é a ordem em que um leitor cético verifica o trabalho. O resumo é a única parte que a maioria lerá; escreva-o por último e conte as palavras.

SeçãoResponde aContémErro comum
IntroduçãoPor que isto importa e o que não se sabe?Contexto → lacuna → pergunta/objetivo → contribuiçãoRevisão longa; objetivo só no fim
MétodosO que foi feito, para poder ser refeito?Desenho, amostra, instrumentos, análise, ética, softwareDescrever o que «se faz» em vez do que foi feito
ResultadosO que se encontrou?Dados, tabelas, figuras — sem interpretarDiscutir dentro dos resultados
DiscussãoO que significa, frente à literatura?Interpretação, comparação, limitações, implicaçõesRepetir resultados; ignorar quem discorda
ConclusãoQual a resposta?Resposta direta; trabalhos futurosAfirmar além do dado
resumo estruturado (NBR 6028) — um parágrafo, 150–250 palavras em artigo
Contexto: uma frase sobre o problema.
Objetivo: o objetivo geral, com o verbo.
Método: desenho, amostra (n), instrumentos, análise.
Resultados: os números principais — com valor, não «foi observado aumento».
Conclusão: a resposta e a implicação.
Palavras-chave: 3 a 5, separadas por ponto, distintas do título.
Regra

Todo número do resumo aparece no corpo, e todo número do corpo bate com a tabela de origem. Conte as palavras — o limite do periódico é conferido pelo editor antes de o parecerista ver o texto.

Redação3 de 7

Citações no texto (NBR 10520:2023)

Citar é atribuir: toda ideia que não é sua tem dono nomeado no texto e endereço na lista. A NBR 10520:2023 (19/07/2023, substitui a de 2002) trouxe três mudanças práticas: o sobrenome entre parênteses deixa de ir em caixa alta — (Gil, 2017), não (GIL, 2017); com quatro ou mais autores pode-se usar «et al.» desde o primeiro, de modo uniforme; e o ponto final encerra a frase, não a citação.

TipoComo ficaExemplo
Indireta (paráfrase)Autor e ano; página opcionalPara Gil (2017), a pesquisa exploratória visa maior familiaridade com o problema.
Direta curta (até 3 linhas)Entre aspas, no parágrafo, com página«a pesquisa é um procedimento racional e sistemático» (Gil, 2017, p. 1).
Direta longa (mais de 3 linhas)Recuo de 4 cm, fonte menor, sem aspas, espaço simples, com página[bloco recuado] (Marconi; Lakatos, 2017, p. 45).
Citação de citaçãoapud — só quando o original é inacessível(Popper, 1959 apud Estrela, 2018, p. 12)
Três ou mais autoresPrimeiro autor + et al.(Page et al., 2021)
Mesmo autor, mesmo anoLetras após o ano(Paiva, 2024a; 2024b)
Supressão / acréscimo[...] e [ ]«o método [...] é o caminho» (Severino, 2016, p. 102)
  • Sistema numérico é alternativa (números entre colchetes, na ordem de citação) — usado por muitos periódicos de engenharia; não misture os dois.
  • Citação direta de obra em outra língua: traduza e indique «tradução nossa».
  • Comunicação pessoal e dados não publicados: em nota, não na lista.
  • Paráfrase muito próxima do original, sem aspas, é plágio mesmo com a fonte citada. Ou reescreve de verdade, ou cita entre aspas com página.
Regra

Um gerenciador de referências (Zotero) insere a citação e monta a lista no estilo escolhido — e evita a falha mais comum: obra citada no texto que não está na lista, ou vice-versa. Confira os dois sentidos antes de entregar.

Redação4 de 7

Lista de referências (NBR 6023:2018)

A lista é o endereço de cada citação: ordem alfabética, alinhada à esquerda, espaço simples, separadas por uma linha em branco; destaque do título uniforme. A NBR 6023:2025 (3ª edição, 21/05/2025) substituiu a de 2018 mantendo os modelos de livro e artigo e ampliando os de fontes on-line, mídias sociais, podcasts e identificadores persistentes (DOI) — confira o tutorial da sua biblioteca para os novos formatos.

modelos — os mais usados numa dissertação de engenharia (compatíveis com a NBR 6023:2025)
Livro          MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
Capítulo       ESTRELA, C. Ciência e método científico. In: ESTRELA, C. (org.). Metodologia científica: ciência, ensino e pesquisa.
               3. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2018. p. 3-19.
Artigo         PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ,
               London, v. 372, n71, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n71.
Dissertação    SOBRENOME, N. Título: subtítulo. 2026. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica) – Escola Politécnica,
               Universidade de São Paulo, São Paulo, 2026.
Norma          ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6023: informação e documentação: referências: elaboração.
               Rio de Janeiro: ABNT, 2018.
Documento web  BRASIL. Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Portaria nº 2.664, de 6 de março de 2026.
               Brasília, DF: CNPq, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/cnpq/. Acesso em: 8 set. 2026.
Legislação     BRASIL. Lei nº 14.874, de 28 de maio de 2024. Dispõe sobre a pesquisa com seres humanos. Diário Oficial da
               União: seção 1, Brasília, DF, 29 maio 2024.
Regra

DOI sempre que existir; «Disponível em / Acesso em» para o que só existe on-line. Toda referência da lista é citada no texto; bibliografia consultada mas não citada vai em lista separada, se o programa aceitar.

Armadilha

Referência gerada e não conferida. Gerenciadores e assistentes de IA formatam bem e erram silenciosamente — coautor truncado, ano da versão errada, DOI que não resolve. Resolva cada DOI antes de entregar; o manual de IA detalha o procedimento.

Redação5 de 7

Escrita científica: clareza, precisão, impessoalidade

Texto científico é o que um leitor cético consegue verificar frase a frase. Cada frase afirma uma coisa, diz de onde ela vem e não diz mais do que o dado sustenta.

Em vez deEscrevaPor quê
«Observou-se um aumento significativo»«A taxa subiu de 2,1 para 3,4 por milhão (IC 95%: 0,8–1,8; p = 0,003)»Número, incerteza, teste
«Muitos autores afirmam»«Gil (2017) e Yin (2015) afirmam»Atribuição verificável
«É amplamente sabido que»[retire, ou cite]Ou tem fonte, ou é opinião
«Os resultados provam»«Os resultados indicam / são compatíveis com»Dado não prova; sustenta
«Neste trabalho, eu fiz»«Realizou-se» / «Este estudo realizou»Impessoalidade (padrão ABNT; alguns periódicos aceitam 1ª pessoa)
Frase de 60 palavras com três orações subordinadasDuas frasesUma ideia por frase
«Etc.», «entre outros»A lista completa, ou o critérioO leitor não adivinha
  • Parágrafo = uma ideia: frase-tópico, sustentação, fecho. Se o parágrafo tem duas ideias, são dois parágrafos.
  • Tempo verbal: métodos e resultados no passado; conhecimento estabelecido no presente.
  • Siglas: por extenso na primeira ocorrência, sigla entre parênteses; lista de siglas se passar de dez.
  • Tabela × figura: tabela para valores exatos; figura para padrão. Título acima da tabela, abaixo da figura (IBGE/ABNT); fonte sempre.
  • Coesão: cada seção começa dizendo o que faz e termina dizendo o que mostrou; conectivos entre parágrafos.
Regra

Leia em voz alta um trecho por sessão de revisão: o ouvido pega a frase que o olho já não vê. E dê o texto a alguém de fora da área — se não entende o objetivo em uma página, a introdução não está pronta.

Redação6 de 7

Plágio, autoplágio e autoria

Plágio é apresentar como sua ideia, texto, dado ou imagem de outra pessoa — com ou sem intenção. A responsabilidade é do autor, e a consequência vai da reprovação à anulação do título. A Portaria CNPq 2.664/2026 e a Lei 9.610/1998 são a base.

FormaO que éComo evitar
IntegralCopiar texto sem aspas nem fonteAspas + página, ou paráfrase real + fonte
Parcial / mosaicoTrechos de várias fontes costuradosFichar com página; escrever a partir das fichas, não dos textos
ConceitualIdeia alheia com palavras suas, sem créditoAtribuir a ideia, não só o texto
De traduçãoTraduzir e assinarCitar com «tradução nossa»
AutoplágioReapresentar texto seu já publicado como inéditoCitar-se; declarar reaproveitamento ao periódico
De dados / imagensUsar figura ou dado sem autorização e créditoLicença; «Fonte:» em toda figura; pedir permissão à editora
  • Autoria (ICMJE/CRediT): contribuiu substancialmente, escreveu ou revisou criticamente, aprovou a versão final, responde pelo todo. Orientador é coautor se cumpre os quatro — não por função.
  • Ferramentas de similaridade (Turnitin, iThenticate, CopySpider) apontam coincidências; quem julga é o leitor. Índice alto em referências e citações corretas não é plágio; índice baixo com paráfrase próxima pode ser.
  • IA generativa: texto gerado não é produção intelectual do pesquisador; o uso é declarado com ferramenta, fase e finalidade — o manual de IA traz o modelo de declaração.
Regra

Escreva a partir das fichas, com o livro fechado. É a única forma segura de parafrasear: o que sai é a sua compreensão, não uma variação do original.

Redação7 de 7

Qualificação e defesa: o que a banca avalia

A banca não avalia se o tema é bonito. Avalia se a pergunta é clara, se o método responde a ela, se os dados sustentam a conclusão e se o texto permite verificar tudo isso. Prepare-se para essas quatro perguntas; o resto é detalhe.

Preparação

  1. Apresentação de 20–30 minutos (o programa define): problema → objetivos → método → resultados → conclusão. Um slide por objetivo específico com o resultado correspondente.
  2. Leia a banca: os trabalhos recentes de cada membro; antecipe a pergunta que cada um faria a partir da própria linha.
  3. Lista de fraquezas: escreva você mesmo as cinco objeções mais fortes ao trabalho e a resposta honesta a cada uma. A banca vai fazer pelo menos três delas.
  4. Ensaio cronometrado com o grupo de pesquisa fazendo perguntas hostis.
  5. Material à mão: dados, tabelas completas, referências — a pergunta «qual foi o n desse grupo?» merece resposta imediata.
Pergunta típicaO que ela testaResposta boa começa com
«Por que esse método e não outro?»Coerência pergunta–método«Porque a pergunta pede […]; a alternativa […] não permitiria […]»
«Isso generaliza?»Validade externa«Para […], sim, porque […]; para […], não, e o texto diz isso na seção […]»
«Esse resultado não poderia ser explicado por […]?»Confundidores«Controlamos […]; não controlamos […], e é a limitação 2»
«Qual é a contribuição?»Justificativa«Antes deste trabalho não se sabia […]; agora se sabe […] com […]»
«O senhor leu […]?»Domínio da literaturaSe não leu: «Não. Vou incorporar.» — e anote
Armadilha

Defender o que o dado não sustenta. A banca respeita «o dado não permite afirmar isso» e pune «mas eu acredito que». Conceder um ponto bem-fundamentado é sinal de maturidade, não de fraqueza.

Parte 8Ferramentas

O que instalar, e para quê

Referências, escrita, identidade acadêmica, bases e análise — com a tela real de cada uma.

08
Ferramentas1 de 5

Gerenciador de referências: a fonte de verdade da bibliografia

Um gerenciador guarda o registro, o PDF e as notas de cada obra, insere a citação no texto e monta a lista no estilo escolhido. É a única forma de manter texto e lista sincronizados numa dissertação com 150 referências.

FerramentaCustoPontos fortesAtenção
ZoteroLivre; sincronização com cotaConnector no navegador; plugins (Better BibTeX, ABNT); leitor de PDF com anotações; gruposEstilo ABNT: instale o CSL «ABNT» e confira a versão da norma
MendeleyGratuito (Elsevier)Leitor de PDF; integração com ScopusRecursos reduzidos nas versões recentes; conta obrigatória
EndNotePago; licença institucional comumIntegração com Web of SciencePortabilidade ao sair da instituição
JabRefLivreNativo em BibTeX; ideal com LaTeXSem leitor de PDF integrado
  1. Instale o aplicativo e o Connector; ative a sincronização.
  2. Crie a coleção do projeto; subcoleções por capítulo ou por etapa da revisão.
  3. Adicione por identificador (DOI, ISBN) sempre que possível — nunca digite uma referência.
  4. Instale o estilo ABNT (repositório de estilos CSL) e teste com três tipos de obra.
  5. No editor de texto, use o plugin: citar → «adicionar bibliografia» → a lista se atualiza sozinha.
  6. Exporte a biblioteca inteira (RIS/BibTeX) a cada marco e guarde com o projeto.
Regra

A lista de referências nunca é editada à mão no documento final: corrige-se o registro no gerenciador e regenera-se. Edição manual quebra a sincronia na primeira mudança.

Ferramentas2 de 5 · captura real, 08/09/2026

Escrita: Word com modelo, LaTeX com abnTeX2, ou Overleaf

A escolha é entre controle e conforto. Word/LibreOffice com o modelo do programa resolve a maioria das dissertações; LaTeX paga sua curva de aprendizado em trabalhos com muitas equações, figuras e referências — e no Overleaf dispensa instalação.

OpçãoMelhor paraFormatação ABNTReferências
Word / LibreOfficeTexto corrido; orientador que comenta no arquivoModelo (.dotx) da biblioteca do programaPlugin do Zotero/Mendeley
LaTeX + abnTeX2Equações, figuras numeradas, referências extensasClasse abntex2, estilo abntex2citeBibTeX/BibLaTeX; Better BibTeX exporta do Zotero
OverleafLaTeX sem instalar; coautoria em tempo realModelos abnTeX2 na galeriaSincroniza com Zotero e Mendeley
Markdown + PandocTexto versionado em Git; exporta para DOCX e PDFModelo de referência DOCX ou template LaTeXCSL via --citeproc
Armadilha

Formatar no fim. Aplicar o modelo depois de 120 páginas escritas gera dias de retrabalho com estilos, numeração e listas. Comece no modelo; escreva dentro dele.

Página inicial do Overleaf
Figura 9 Overleaf: editor LaTeX colaborativo on-line, com galeria de modelos (abnTeX2 incluído) e integração com Zotero e ORCID.
abnTeX2 — esqueleto mínimo
\documentclass[12pt,a4paper,oneside,brazil]{abntex2}
\usepackage[alf]{abntex2cite}   % autor-data (NBR 10520)
\titulo{…} \autor{…} \orientador{…} \instituicao{…} \data{2026}
\begin{document} \imprimircapa \imprimirfolhaderosto \tableofcontents
\textual  …  \postextual \bibliography{referencias} \end{document}
Ferramentas3 de 5 · capturas reais, 08/09/2026

Identidade acadêmica: Lattes, ORCID e Sucupira

Três cadastros que o mestrando faz no primeiro semestre e mantém pelo resto da carreira. O Lattes é exigido pelo CNPq, pela CAPES e pelo CEP; o ORCID é exigido por periódicos e agências; a Sucupira é onde o programa (e o seu Qualis) é avaliado.

Plataforma Lattes
Figura 10 Plataforma Lattes (CNPq): currículo padronizado, obrigatório para bolsas, editais e Plataforma Brasil. Atualize a cada produção.
Página inicial do ORCID
Figura 11 ORCID: identificador persistente do pesquisador, gratuito; desambigua homônimos e é pedido na submissão de artigos.
Plataforma Sucupira
Figura 12 Plataforma Sucupira (CAPES): dados dos programas e o Qualis Periódicos por área de avaliação.
Regra

Vincule o ORCID ao Lattes e ao Overleaf/periódicos; registre produções nos dois. Antes de escolher o periódico-alvo, confira o estrato Qualis da área do seu programa na Sucupira e o quartil SJR na SCImago — os dois mudam com o tempo e não coincidem entre si.

Ferramentas4 de 5 · captura real, 08/09/2026

Bases de dados e guias de relato

RecursoAcessoPara
Portal de Periódicos CAPESCAFe (login institucional)WoS, Scopus, IEEE, ScienceDirect, Springer — texto completo
SciELOAbertoPeriódicos brasileiros e ibero-americanos
BDTD / Catálogo de Teses CAPESAbertoTeses e dissertações defendidas no Brasil
OpenAlex · Crossref · Semantic ScholarAberto, com APIMetadados, citações, verificação de DOI, figuras por script
Google ScholarAbertoLocalizar texto completo; alertas — não é base de revisão
EQUATOR NetworkAbertoCatálogo de guias de relato por desenho: PRISMA, CONSORT, STROBE, COREQ, SRQR…
DesenhoGuia de relato
Revisão sistemática · de escopoPRISMA 2020 · PRISMA-ScR
Ensaio controlado · quase-experimentoCONSORT · TREND
Observacional (coorte, caso-controle, transversal)STROBE
Qualitativo (entrevistas, grupos focais)COREQ · SRQR
SurveyCHERRIES (on-line) · CROSS
Site do PRISMA statement
Figura 13 PRISMA: checklist de 27 itens e diagrama de fluxo para revisões sistemáticas. Leia o checklist antes de começar — ele diz o que você vai precisar ter registrado.
Regra

Escolha o guia de relato junto com o método e leia-o inteiro na fase de projeto. Um guia lido no fim é uma lista do que faltou.

Ferramentas5 de 5

Ferramentas de análise e organização

TarefaLivre / gratuitaComercialObservação
EstatísticaR (+ RStudio), Python (pandas, statsmodels), JASP, jamovi, PSPPSPSS, Stata, MinitabJASP e jamovi têm interface de menu com saída reprodutível; R/Python versionam a análise
Qualitativa (CAQDAS)QualCoder, Taguette, RQDAAtlas.ti, NVivo, MAXQDAExporte o livro de códigos e a matriz; a IA embutida segue as regras do manual de IA
TranscriçãoWhisper (local), oTranscribeServiços on-lineVoz é dado biométrico: prefira local; confira contra o áudio
QuestionárioLimeSurvey, Google Forms, Microsoft FormsQualtrics, SurveyMonkeyOnde ficam os dados? Verifique antes de coletar
BibliometriaVOSviewer, Bibliometrix (R), CiteSpaceDescrevem o corpus recuperado, não o campo
Planilha e dadosLibreOffice Calc, Google Sheets, CSV + GitExcelDado bruto nunca é editado; transformações em script
Gestão do projetoObsidian, Notion, Trello, GitUm lugar para decisões datadas
Regra

Prefira a ferramenta que deixa rastro reproduzível: script em vez de clique, exportação em texto em vez de formato fechado, versão anotada no método. A banca pode pedir para refazer uma tabela; com script, leva um minuto.

E a inteligência artificial?

Entra em quase todas as linhas desta tabela — como editor, programador, indexador — e em nenhuma como quem decide. O que pode, o que precisa ser declarado e o que não pode está no manual irmão, Uso de IA na pesquisa científica, com a matriz de permissões e o modelo de declaração.

Parte 9Fechamento

Erros, checklist, glossário e referências

O que costuma dar errado, o que conferir antes de qualificar e defender, e as fontes.

09
Fechamento1 de 6

Erros típicos — e em que etapa nascem

ErroComo pareceOnde nasceuCorreção
Pergunta que não terminaTema em vez de pergunta; objetivo «analisar a automação»Do tema ao problematabela vazia do resultado
Objetivo específico que é etapa«Revisar a literatura»; «coletar dados»Objetivosum resultado por objetivo
Classificação por adjetivos«exploratória, descritiva, explicativa, quali-quanti…»Classificaçãouma resposta por eixo
Método por afinidadeEstudo de caso para pergunta de prevalênciaEscolha do métodotabela pergunta → desenho
Amostra sem população«Foram entrevistados 12 operadores»Amostragempopulação, critério, saturação
Instrumento sem pré-testeItem ambíguo descoberto na análiseInstrumentopré-teste registrado
Coleta antes do parecerDado inutilizávelÉticaCEP no cronograma
Procurar o pDez testes, um reportadoAnálisepré-registro; exploratório rotulado
Categoria sem trechoInterpretação sem evidência literalAnálise qualitativatrecho + fonte + linha
Conclusão além do dado«Prova que…»; generaliza de um casoRedação«indica»; limites explícitos
Lista e texto dessincronizadosObra citada sem referência e vice-versaReferênciasgerenciador; conferência nos dois sentidos
Norma desatualizadaCitação em caixa alta; capa obrigatória no projetoFormataçãoNBR 10520:2023 · 14724:2024 · 15287:2025 · 6023:2025
Fechamento2 de 6

Checklist: antes de qualificar, antes de defender

Marque conforme concluir. O estado fica salvo neste navegador — não é compartilhado nem enviado a lugar nenhum.

0 de 16
Fechamento3 de 6

Glossário — fundamentos, desenhos e coleta

Tudo que aparece no manual sem ser explicado no próprio slide. Termos sublinhados no texto abrem estas definições.

Fundamentos e método

Conhecimento científico
Conhecimento racional, sistemático, verificável e falível, produzido por método explícito.
Método científico
Conjunto de procedimentos que permite a outro pesquisador refazer o caminho e chegar ao mesmo resultado.
Indução · dedução · hipotético-dedutivo
Do particular ao geral; do geral ao particular; da conjectura à tentativa de refutação (Popper).
Falseabilidade
Propriedade de um enunciado que pode ser refutado por observação; critério de cientificidade.
Paradigma · visão de mundo
Conjunto de crenças sobre o que a realidade é e como pode ser conhecida (pós-positivista, construtivista, transformador, pragmático).
Abordagem quantitativa · qualitativa · mista
Dado numérico e teste de hipótese; dado textual e interpretação; combinação integrada por desenho.
Pesquisa básica · aplicada
Gera conhecimento sem aplicação imediata; resolve problema concreto.
Exploratória · descritiva · explicativa
Classificação por objetivo (Gil): familiarizar-se; caracterizar; identificar causas.
Problema · pergunta de pesquisa
Dificuldade sem resposta na literatura; a mesma dificuldade formulada de modo verificável.
Hipótese · pressuposto
Resposta provisória testável (quantitativa); questão norteadora (qualitativa).
Variável independente · dependente · de controle
Causa presumida; efeito medido; o que se mantém constante ou se ajusta.
Definição operacional
Como uma variável é medida na prática (o que conta como «incidente»).
Justificativa · delimitação
Por que a pergunta vale a pena (lacuna, relevância, contribuição); o que fica fora e por quê.
Estado da arte · referencial teórico
O que já se sabe e onde está a lacuna; os conceitos usados para ler os dados.
Fichamento · matriz de síntese
Registro estruturado de leitura, com página; tabela com uma linha por estudo.

Desenhos e coleta

Bibliográfica · documental
Fontes publicadas; fontes primárias não tratadas (relatórios, atas, registros).
Experimental · quase-experimental · ex-post-facto
Manipula e aleatoriza; manipula sem aleatorizar; compara grupos quando a causa já ocorreu.
Levantamento (survey)
Interrogação direta de uma amostra por questionário ou formulário.
Estudo de caso
Investigação em profundidade de um ou poucos casos em contexto real, com várias fontes (Yin).
Pesquisa-ação · participante
Pesquisador e participantes transformam a situação enquanto a estudam.
Design science (DSR)
Construção e avaliação de um artefato que resolve um problema.
Revisão sistemática · de escopo
Levantamento com protocolo, busca reproduzível e triagem por critérios; a de escopo mapeia o campo.
População · amostra · unidade de análise
Conjunto de interesse; parte observada; o que é contado (pessoa, terminal, evento).
Amostragem probabilística · não probabilística
Com sorteio e probabilidade conhecida; sem sorteio (conveniência, intencional, bola de neve, cotas).
Margem de erro · nível de confiança · poder
Precisão da estimativa; probabilidade de o intervalo conter o valor; probabilidade de detectar um efeito real.
Saturação
Ponto em que novas coletas qualitativas não trazem categoria nova.
Questionário · formulário · entrevista · grupo focal
Autoaplicado; aplicado pelo pesquisador; diálogo estruturado ou não; discussão em grupo moderada.
Escala Likert
Escala de concordância em pontos (5 ou 7), com rótulos.
Pré-teste · validação por juízes
Aplicação-piloto do instrumento; avaliação de clareza e pertinência por especialistas.
Alfa de Cronbach · κ de Cohen
Consistência interna de uma escala; concordância entre avaliadores descontado o acaso.
Validade interna · externa · de constructo
A causa é a suposta; vale além da amostra; o instrumento mede o conceito.
Credibilidade · transferibilidade · dependabilidade · confirmabilidade
Critérios de qualidade da pesquisa qualitativa (Lincoln & Guba).
Triangulação
Uso de fontes, métodos ou pesquisadores diferentes para o mesmo fenômeno, procurando a discordância.
Grupo de controle · aleatorização · cegamento
Comparação sem intervenção; sorteio para os grupos; quem mede não sabe o grupo.
TCLE · TALE · CAAE
Termo de consentimento; termo de assentimento (menores); número do protocolo no CEP.
CEP · CONEP · Plataforma Brasil
Comitê local; comissão nacional; sistema de submissão.
Fechamento4 de 6

Glossário — análise, normas e escrita

Análise de dados, normas ABNT, citação, integridade e identidade acadêmica.

Análise e escrita

Estatística descritiva · inferencial
Resume o dado (média, mediana, desvio); generaliza para a população (testes, IC).
Valor-p · tamanho de efeito · IC 95%
Probabilidade do dado sob a hipótese nula; magnitude da diferença; faixa plausível do efeito.
Pressupostos
Condições que um teste exige (normalidade, variâncias iguais, independência).
Regressão (linear, logística, Poisson)
Modelos que relacionam preditores a desfecho numérico, binário ou de contagem.
Análise de conteúdo (Bardin) · análise temática
Pré-análise, exploração e tratamento; identificação de temas em dados textuais.
Codificação · livro de códigos · categoria
Atribuir rótulos a trechos; documento que define cada rótulo; agrupamento de códigos.
CAQDAS
Software de apoio à análise qualitativa (Atlas.ti, NVivo, MAXQDA, QualCoder).
Métodos mistos: convergente · sequencial
Quanti e quali ao mesmo tempo; um depois do outro (explanatório: QUAN→qual; exploratório: QUAL→quan).
Reprodutibilidade · pré-registro
Outro chega ao mesmo resultado com dados e código; plano público e datado antes da coleta (OSF).
p-hacking
Testar muitas relações e reportar só a significativa.
IMRaD
Introdução, Métodos, Resultados e Discussão — estrutura do artigo.
NBR 14724 · 15287 · 10520 · 6023 · 6028 · 6024 · 6027
Normas ABNT: trabalho acadêmico (2024); projeto (2025); citações (2023); referências (2025); resumo (2021); numeração progressiva; sumário.
Citação direta · indireta · apud
Transcrição literal com página; paráfrase; citação de citação.
Sistema autor-data · numérico
Sobrenome e ano no texto; números na ordem de citação.
Plágio · autoplágio
Apropriação de texto, ideia ou dado alheio sem crédito; reapresentação de texto próprio como inédito.
CRediT
Taxonomia de papéis de contribuição para declarar autoria.
Qualis · SJR · JIF
Estratos CAPES por área; SCImago Journal Rank; fator de impacto.
Lattes · ORCID · Sucupira
Currículo nacional (CNPq); identificador do pesquisador; plataforma de avaliação da pós (CAPES).
DOI · ISSN · ISBN
Identificadores persistentes de documento, periódico e livro.
abnTeX2 · CSL
Classe LaTeX para ABNT; linguagem de estilos de citação usada por Zotero e Pandoc.
Fechamento5 de 6 · verificação: 08/09/2026

Referências — livros e método

Metodologia — obras de base

  1. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
  2. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Técnicas de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
  3. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
  4. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
  5. SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 24. ed. São Paulo: Cortez, 2016.
  6. ESTRELA, C. (org.). Metodologia científica: ciência, ensino e pesquisa. 3. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2018. ISBN 978-85-367-0274-2.
  7. PAIVA, V. L. M. O. Pesquisa: projeto, geração de dados e divulgação. São Paulo: Parábola, 2024. ISBN 978-85-7934-315-5.
  8. VIEIRA, J. G. S. Metodologia de pesquisa científica na prática. Curitiba: Fael, 2010.
  9. DUARTE, L. R. R. Metodologia da pesquisa científica. E-book. 2018.
  10. PRODANOV, C. C.; FREITAS, E. C. Metodologia do trabalho científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo: Feevale, 2013.
  11. CRESWELL, J. W.; CRESWELL, J. D. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 5. ed. Porto Alegre: Penso, 2021.
  12. YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2015.
  13. BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2016.
  14. THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

Método, relato e integridade

  1. PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 statement. BMJ 2021;372:n71.doi.org/10.1136/bmj.n71
  2. KITCHENHAM, B.; CHARTERS, S. Guidelines for performing systematic literature reviews in software engineering. EBSE 2007-001.
  3. EQUATOR Network — guias de relato por desenho.equator-network.org
  4. LINCOLN, Y. S.; GUBA, E. G. Naturalistic inquiry. Newbury Park: Sage, 1985.
  5. BRASIL. Lei nº 14.874, de 28 de maio de 2024. Dispõe sobre a pesquisa com seres humanos.planalto.gov.br/…/l14874.htm
  6. CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE. Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016 (ética em pesquisa com seres humanos; ciências humanas e sociais).conselho.saude.gov.br
  7. BRASIL. Lei nº 13.709/2018 (LGPD); Lei nº 9.610/1998 (direitos autorais).planalto.gov.br/…/l13709.htm
  8. CNPq. Portaria nº 2.664, de 6 de março de 2026 — Política de Integridade na Atividade Científica.gov.br/cnpq/…/comissao-de-integridade
  9. FCHSSALLA/CGEE. Diretrizes para a ética na pesquisa e a integridade científica. Brasília: CGEE, 2024.cgee.org.br/…
  10. ICMJE. Defining the role of authors and contributors; CRediT taxonomy.icmje.org/recommendations/…
  11. MATIAS, J. P. M. Uso de IA na pesquisa científica: manual prático. MirandasTech, 2026.manual.mirandastech.com.br
Fechamento6 de 6 · versões conferidas em 08/09/2026

Referências — normas ABNT vigentes e ferramentas

Normas ABNT (versões vigentes)

  1. ABNT NBR 14724:2024 — Informação e documentação: trabalhos acadêmicos: apresentação. 4. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 16 dez. 2024. Substitui a de 2011.
  2. ABNT NBR 15287:2025 — Projeto de pesquisa: apresentação. 3. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 18 mar. 2025. Substitui a de 2011.
  3. ABNT NBR 10520:2023 — Citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 19 jul. 2023. Substitui a de 2002.
  4. ABNT NBR 6023:2025 — Referências: elaboração. 3. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 21 maio 2025. Substitui a de 2018 (e sua Errata 2:2023).
  5. ABNT NBR 6028:2021 — Resumo, resenha e recensão: apresentação.
  6. ABNT NBR 6024:2012 — Numeração progressiva das seções. ABNT NBR 6027:2012 — Sumário.
  7. ABNT NBR 6022:2018 — Artigo em publicação periódica técnica e/ou científica.
Como confirmar a versão

O texto oficial é vendido pela ABNT (abnt.org.br) e disponível nas universidades pelo Target GEDWeb; as bibliotecas universitárias (UFU, UFV, UFSCar, PUCPR) publicam tutoriais atualizados. Confira sempre a data da norma no guia do seu programa.

Ferramentas e plataformas

  1. Plataforma Brasil (CEP/CONEP)plataformabrasil.saude.gov.br
  2. Plataforma Lattes (CNPq) · ORCID · Plataforma Sucupira (CAPES)lattes.cnpq.br
  3. Portal de Periódicos CAPES · SciELO · BDTD/IBICTperiodicos.capes.gov.br
  4. OSF Registries · PROSPERO · PRISMAosf.io/registries
  5. Zotero · Overleaf · abnTeX2 · Pandocabntex.net.br
  6. OpenAlex · Crossref · Semantic Scholar (APIs abertas)openalex.org
  7. R · Python · JASP · jamovi · VOSviewer · Bibliometrix · QualCoderjasp-stats.org
Manual on-line e repositório público

Manual: metodologia.mirandastech.com.br · PDF
Deck (HTML e PDF), capturas datadas, script da figura, agente Metodólogo para o Claude Code (conduz a entrevista de decisão, monta o projeto NBR 15287:2025, confere ABNT, simula a banca e controla o checklist) e scripts (projeto, citações, tamanho de amostra, cronograma): github.com/joaopaulomirandamatias/metodologia-pesquisa-cientifica. Instale-o junto com o Orientador do manual de IA — os dois trabalham na mesma pasta.

Como citar: MATIAS, J. P. M. Metodologia da pesquisa científica: manual prático. MirandasTech, v1.0, set. 2026. CC BY 4.0.
Escrito com assistência de IA (Claude, Anthropic) na estruturação, redação, scripts e capturas, sob as regras do manual irmão. Capturas reais e datadas; esquemas rotulados. Versões das normas ABNT conferidas em fontes de bibliotecas universitárias em 08/09/2026. O autor responde integralmente pelo conteúdo.
Fechamento · último slidemétodo + uso de IA, na mesma pasta

Como usar os dois manuais juntos: Metodólogo + Orientador

Cada manual tem um agente para o Claude Code. Instalados os dois, eles trabalham na mesma pasta de projeto: o Metodólogo decide sobre método; o Orientador decide sobre o uso de IA. Os dois compartilham o registro de decisões e o registro de uso, e cada um controla o próprio checklist.

instalação — uma vez, em qualquer ordem
$ git clone https://github.com/joaopaulomirandamatias/metodologia-pesquisa-cientifica.git
$ git clone https://github.com/joaopaulomirandamatias/ia-na-pesquisa-cientifica.git
$ bash metodologia-pesquisa-cientifica/scripts/instalar_skills.sh    # agente metodologo + 4 skills
$ bash ia-na-pesquisa-cientifica/scripts/instalar_skills.sh          # agente orientador + 2 skills

# projeto: qualquer um dos dois cria a estrutura; o outro só acrescenta o que falta
$ python3 metodologia-pesquisa-cientifica/scripts/iniciar_projeto.py minha-pesquisa --tema "…"
$ python3 ia-na-pesquisa-cientifica/scripts/iniciar_projeto.py minha-pesquisa --tema "…"
$ cd minha-pesquisa && claude
Pergunta do alunoQuem responde
«Qual método uso? Como formulo a pergunta? Quantas entrevistas? Preciso de CEP? Está na ABNT?»Metodólogo
«Posso usar o ChatGPT para isto? Como configuro? Preciso declarar? Posso subir estes resumos?»Orientador
«Registre esta decisão» · «o que já fizemos?»Ambos, em DECISOES.md e no próprio checklist
uma sessão típica, dentro de minha-pesquisa/
Metodólogo, começar minha pesquisa.
  → entrevista de decisão: tema → pergunta (tabela vazia) → objetivos → classificação → desenho → amostra
  → grava 00_projeto/DECISOES_METODO.md e DECISOES.md · monta PROGRESSO_METODOLOGIA.md

Orientador, o que posso delegar à IA na revisão de literatura?
  → matriz de permissões · configura ferramentas · abre USO_DE_IA.csv · monta PROGRESSO_IA.md

Metodólogo, monte o projeto.              → skill projeto-nbr15287 → 00_projeto/PROJETO.md
Orientador, prepare a triagem assistida.   → skill triagem-assistida (status preliminar; você decide)
Metodólogo, confira minhas citações.      → verificar_citacoes.py (NBR 10520:2023 / 6023:2025)
Orientador, verifique as referências.     → verificar_refs.py (cada DOI na Crossref)
Metodólogo, simule a banca.               → cinco objeções com resposta · 06_texto/banca.md
Orientador, gere a declaração de uso de IA. → a partir de USO_DE_IA.csv
ArquivoQuem escrevePara quê
DECISOES.mdambostoda decisão numerada e datada, com justificativa
USO_DE_IA.csvambosuma linha por uso de IA que influenciou decisão ou texto — inclusive dos próprios agentes
PROGRESSO_METODOLOGIA.mdMetodólogo16 itens de método, marcados só com evidência
PROGRESSO_IA.mdOrientador16 itens de uso de IA, idem
AGENTS.mdmodeloas regras que os dois leem ao abrir a pasta
Regra dos dois

Nenhum dos agentes decide pelo aluno, inventa dado ou referência, libera coleta sem CEP ou marca item sem evidência — e cada um encaminha ao outro a pergunta que não é da sua alçada. O manual irmão, de uso de IA, está em manual.mirandastech.com.br.